segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Auróra.

As férias chegaram pra me trazer cansaço e exaustão. Assim como a primavera deixou flores mortas na minha porta. E nunca houve inverno tão solitário como este ano me abraçou. Meu dente caiu e ao colocá-lo embaixo do travesseiro fui roubado por uma mãe. Eu então, como uma tradição, me mudei. Uma mudança que seja mantida e persista desde manhã cedo até as doze badaladas. Confesso que já estava me sentindo mal por não me assumir culpado. Eu forcei regressão e preferi não pensar, o que me torna falso.
Eu estou saciado de sexo. De amor. De drogas. Talvez, de viver. A única coisa que ainda me resta é sonhar com meu próprio crescimento e minhas notas. Eu quero aumentar um tom, refazer uma escala e com sorte, adicionar um riff na minha rotina. Eu já não sei.

Espero que ao amanhecer eu possa me distrair e deixar mais dias passarem por mim, sem atingir minhas palavras que aos poucos se perdem. Estou sem esperança. Mas assim como me tiraram o mundo, sempre volta com o vento e com o medo.

domingo, 4 de outubro de 2009

Brighter.

Eu não sei conter segredos e eu espero que você não conte á eles. Porque eles confiam tanto em mim e a cada dia amais eu deixo (os segredos) passarem, pelos meus olhos, que isso não faz bem a ninguém. Eu espero que não esteja tão visível que meus olhos ainda permanecem molhados, quando não há lágrimas, não há dor, não há nem vazio só medo.
Como eu confio é normal que seja visto de confiança, mas acredite não sou. Então, talvez seja a hora que a verdade seja dita e você possa concordar que eu sempre estive certo, eu não presto.
Havia muitos segredos presos naquela menina e eu-ninguém seria o único á ouvir. Talvez por termos sempre nossos favoritos, acabamos sendo injustos e traindo os indefesos. Mas dessa vez, eu fui apenas quem ouvi, sem trair, sem insistir, sem me envolver.

Eu tentei facilitar, algumas horas atrás. Eu retirei todo o meu time e palavras do caminho, porque todos nós já estamos cansados dessa luta perdida. As sete letras se mantiveram intactas, apesar de eu estar sem cabeça, corpo, alma pra pensar nisso. Eu simplesmente fui acompanhado de solidão, uma voz narrava sua dor, mas eu estava surdo com a minha própria. E me atirei no primeiro ônibus que eu pudi pegar. Fingi tristeza ao me despedir, mas meu desespero pela solidão real era óbvio.
Fiz questão de ficar de pé para admirar cada farol, cada vermelho, amarelo, verde. Cada risada que não era minha e cada casal na rua. Eu apenas abaixei o humor e aumentei os pensamentos. Meu coração acelerou e a falta de ar, que tem sido frequente agora, se fez tão forte que eu desci três pontos antes. E eu, que no ônibus errado estava, não corri. Caminhei com apenas uma luz vermelha presa entre dois dedos. Levei a boca diversas vezes, tentando diminuir a vontade de voltar pra casa. Eu andei apenas pelo menino que hoje se tornava ainda mais meu encanto, nada mais.
Vi a subida logo em frente e depois de uma pausa longa, a coragem não me impulsionou. Mas eu devia á esse menino minha palavra, meu riso e minha presença. Subi pé ante pé. E me agarrei na ilusão de desaparecer entre aquela encruzilhada. E não ter que escolher. Ou pelo menos não enxergar todas as malas largadas pelo caminho. Eu não gostaria de reencontrar todas as roupas usadas, os livros lidos e as fotos apagadas.
Atirei o cigarro longe e sentei. Pensei em tirar outro, como desculpa, caso fosse pego. Mas não liguei para as consequências. E lá fiquei por quase vinte minutos, imaginando quem estaria e o que estariam fazendo dentro daquela casa onde eu já fui adotado.

Como em minha mente, ela também fingiu não me ver. E sorriu pra todos na mesa. Eu via agora que aquela sala estava cheia demais pra nós dois. E só podia respirar quando me ausentava e no banheiro eu podia fazer-me seguro. Naquela mesma tarde já tinha falsificado uma ligação para me levar pra longe dos seus olhos. Mesmo assim, eu os senti nas minhas costas. Preso nos meus atos e vivendo cada respiração minha.
Quando as duas meninas que me fazem um terço foram embora. Outra não voltou. E eu só me dei conta porque eu me sentia estranhamente vivo. E os vivos sentem falta. Eles respiram e precisam de compania. E eles amam, sem dúvida, os vivos amam.
Ao procurar nos quartos, lá estava sentada sozinha. A maquiagem borrada, os olhos apagados e o brilho em prantos. Eu só fui capaz de dizer 'Levante'.
E entregar meus braços ao teu choro. Beijar teu cabelo e respirar pelos dois. Eu não queria estar consolando, quando estava inconsolável. Mas alguém ali podia ser salvo e nunca seria eu. Não queria mais alguém destruído ali. E eu prometi e cumpro, porque eu quero e gosto acima de tudo, que estaria ali. Mesmo que mudo, mesmo que sem valsa, mesmo que sem abraço, mesmo que sem coração, eu não iria embora.

Por fim, ela se abriu pra mim. O que eu pensei que não estaria pronto para fazer. Conversamos, mas eu fiquei perdido em muitos pontos. Depois eu me despedi e tive dois dias de esquecimento absoluto. Voltei com sono e dor no corpo. Algumas decisões e força.

PS. Minha menina, se ainda me permite chamar assim. Eu sei que teu coração se parte em dois e tua escolha, se assim for, não pode ser tomada. Eu sei que eu errei quando eu fiz todo teu esforço em vão. Eu tenho boas intenções, o que não vai te impedir de me odiar no fim desse texto. E eu nunca disse que isso não seria possivel. Mas como eu pedi que te dissessem e eu quero te dizer 'Eu te amo'. E se isso se resumir, o fim, em cada um pegar de volta todas as palavras e o ar gasto. Dividirmos nossas histórias em dois e cada foto. Devolver as lembraças e as cartas. E por fim, criar pra cada um, o seu novo lado. O seu novo enredo e o nosso novo brilho.
Eu não quero crescer longe do que me trouxe aqui. Eu não quero me distanciar do que hoje tem mais partes de mim do que eu mesmo. Eu não quero assistir teu brilho queimar nos meus olhos e se tornar apenas cinzas de alguém que eu fui capaz de morrer e escrever sobre.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Metamorfose Ambulante.

Eu me faço da sujeira, teu fiel cavalheiro e me dito as regras deste novo ser quem eu interpreto. Apesar do curto prazo de existência, eu crio uma dimensão que por si própria monta o passado e o contexto de cada fala. Talvez, soe estranho, mas quando a porta bater meu chapeu vai cair. E eu não serei mais teu, nem por um segundo. Eu caminharei por novas terras e nem meus olhos serão os mesmos.
Eu queria poder desmetir e dizer que estarei aqui pra sempre. Seria uma boa frase de momento, encaixaria, eu senti as palavras sairem por impulso, por tradição. Mas eu me segurei porque não quis ser outro personagem, agora era o ator único existindo.
Desde quando isso começou? Se sempre foi assim ou apenas depois de perder minha identidade...Bem, eu não sei, nem como cheguei aqui ou como me parar. Eu apenas sinto essa solidão que eu tento preenxer com enredos e pessoas. O que não me satisfaz.

Eu me esqueço das saudades e das pessoas que eu sinto falta. Assim, eu me seguro (mesmo sem perceber) e me distancio. Talvez, seja orgulho que queiram chamar. Não ligo pro nome se isso não trará felicidade a ninguem. Como explicar isso sem causar mais dor? Talvez, só você, meu papel em branco possa receber tal honestidade sem delongas, sem metáforas, sem amenizar uma só força que cada palavra traga.

Eu já não sei quem sou. Mas eu sempre fui completamente consciente e mesmo bebado. Mesmo esquecendo meu sexo, meu corte de cabelo, meu nome, minha cidade, ainda sei o que é ser patético. E cada soluço que dei e ansia que senti, eu quis me desculpar. Mas eu não poderia voltar atrás, agora que cheguei tão longe.

Oh, misericórdia. Como aguentar isso um minuto amais?
Quem sou eu agora? Todo mundo me soa estranho. E eu estou com medo.
E se todo mundo estiver se transformando, essa paranóia não pode ser tratada.
Porque eu não confio mais em você. Porque eu me sinto cada vez mais sozinho, mais sozinho.

Player.

Aquele que: eu tenho tanta admiração porque ele soa verdade em sorrisos e ele se faz inocente com os olhos, de um jeito que me faz vê-lo como meu melhor amigo. E a pessoa mais confiavel do mundo. E eu nunca o vi tão radiante quanto no seu show pessoal. Seu brilho, sua dança, seu sorriso, mostraram seu orgulho, felicidade e paixão pela banda, amigos, tua cidade.

Em apenas algumas horas um ano mais e a menos estará marcado em cada um de nós. Tanto em cinco como em quinze. Tanto em cima de um palco como nos bastidores, cercados de abraços e poesia reais. E meu orgulho acrescenta mais a cada instante observando, mudo, o teus passos. Teu modo de pensar e agir. Tua originalidade e determinação em ser um ao invés de mais um. E eu não poderia dizer isso á qualquer outro, porque você é tão único quanto você se fez e se tornou pra mim. Eu abriria minha vida inteira, sem hesitar. Eu diria a verdade e nada além. E largaria todas as garrafas enfileiradas, os cigarros já pagos e agora acessos e todo o tipo de libertação através de auto-destruição.

Eu sei que você se sente só, muitas vezes. E eu queria poder mudar isso, me tornar presente eternamente. Mas eu repito como meu coração escreve eu estou aqui. Dentro de cada silába e preso em cada virgula. Eu sou inteiramente teu, em rimas. Em versos, riffs e solos.

Se eu fosse um confeiteiro lhe daria um belo bolo feito com minhas próprias mãos. Se eu fosse um navegador, eu te levaria aos sete mares lhe mostrar o meu mundo. Se eu fosse escritor, músico, desenhista, pintor, mas eu não sei quem sou. Eu apenas sei que eu quero me tornar alguém que se misture com a sua influência e o teu humor. Eu quero levar de você o teu melhor e essa inocência que me faz esperançoso. Eu quero te abraçar quando o mundo se tornar grande demais e tentar te encolher. Quando as estrelas ousarem brilhar mais do que teu riso. E quando te dizerem que você não é capaz. Eu quero estar sentado, no teu show, ou do teu lado, no palco. E deitar nas notas, dormir nos acordes e sonhar com essa canção que nos torna melhores amigos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Auto-Destruição.

Não tive êxito algum. Nenhuma parte de mim retornou á mim, como deveria acontecer. Talvez, eu deixei escapar ainda mais. O menino inocênte mais uma vez foi meu. E eu pudi sentir um sorriso na minha face, um que eu não esperava. Eu me senti um pouco mais real, menos transparente talvez.
O tic-tac me arrangou de teus braços e me pois em mim. Digo, me tirou dos braços e dos seus lábios e me pois só. Sentei-me, aliviado. Algo parecia correto e me deu um pouco de esperança.

Mas porque a menina que meu coração gritava admiração estava tão tristonha. Eu não conseguiria nunca entender como teu brilho não reflete e teus olhos não são capazes de enxergar. Essa neblina que criaste para se ofuscar dentro de si mesma. Horrível foi testemunhar tua ignorância em tua beleza plena. Eu não encontraria brilho maior em nenhum sorriso ou nenhuma voz. Eu jamais acharia tal originalidade em qualquer outra inspiração. Então, me coloquei a observá-la. 'Oh, menina dos meus sonhos, o que te faz mal?'. Eu não pudi evitar meus lábios encostarem nos teus. Eu queria isso tanto, como se assim, eu deixasse claro que eu quero e pretendo estar aqui todos esses anos que a vida me oferecer. E nunca havia sentido tal realização, mesmo quando flutuo na água e caminho sobre o fogo. Quando eu ouço palavras que me oferecem caminhos e companias, nada me fez tão bem.
E eu então fechei os olhos, não quis abrir por um segundo sequer. Eu estava com a pessoa que faz meu coração soar uma melódia esperançosa e se pudesse ter uma letra, seria cantada em notas belas que o teu, por impulso, por costume atingiria.
E talvez devesse ter sido bem menos. Mas eu não pudi me controlar, eu queria guardar você dentro da gafarra que eu deixarei pra todos que ousarem me procurar. Aqueles que ousarem dizer saudades ou amor.

A menina então foi tirada de mim. E eu ouvi um barulho estranho pulsando em meu peito, talvez fosse engano. Mas parecia algo bem próximo de um coração. Meu Deus, ele estava de volta. Fraco, sangrando...Mas eu podia sentí-lo agora. E não fui o único. Mesmo tão fraco, a casa inteira parecia tremer. E o barulho tão grave quanto o som do meu baixo preto estava assustanto todos. Eu sorri, mesmo envergonhado. Sentei-me por um tempo. E me ofereci um copo de lembranças. Tomei até a última gota a experiência de lembrar próximo aos que pertecem a lembrança. Assim, pudi enxergar a evolução pessoal, individual.

Por último, mas definitivamente não menos importante. O menino que eu já dediquei cartas e tic-tacs. O menino que me fascina mesmo mudo e mesmo quando esteve longe, eu quis ser seu. E hoje fui, inteiramente. Por um tic. E ele foi meu. Durante todo o tac.
Seu beijo estava mudado, mas a essência era a mesma, o gosto o mesmo e o cheiro encantador o mesmo. Eu de olhos fechados ao mundo, ao teu lindo rosto, a verdade. Eu insisti em mais tempo e pudi sentir seus lábios nos meus trocando vidas. Eu o amo. Sem dúvidas.

Independente da forma ou do que me aguarda, eu sei que está escrito em mim teus nomes e teus espaços. Três meninas estavam lá, intactas. E se eu pudesse descrevê-las eu ficaria honrado em fazê-lo. Mas uma roubou meu coração e agora está acorrentada longe, muito longe de onde eu queria que estivesse. A outra tornou-se insubstituível e absolutamente amável e necessário em meu dia-a-dia. Eu preciso do teu riso e do teu humor. Da tua sabedoria e tua força. E a menina que eu sempre deixo pro fim. Não porque seja a última que me venha a cabeça, mas é a última que me pego pensando antes de adormecer. A que me motiva a lutar e tem um sorriso que me quebra em pedaços... Fáceis de repor com teu abraço desigual.

Me senti estranho ao voltar pra casa. Após o banho me senti com um dia a menos de vida. Como se tivesse sido roubado. E eu fui pra cama com os olhos brilhando. De vida.
Pela dor acomulada, pela perda e o medo misturada com a reconcilhação, os beijos e todo o amor que eu tenho pelas pessoas responsáveis por me trazerem te volta, mesmo por poucos segundos, quem eu fui.

No meu antigo corpo habita alguém que eu não me orgulharia. Alguém que eu não me apaixonaria. Mas as vezes, por questão de um tic e um tac, eu me tornaria de noivo o teu amante. O teu amigo. Somente teu.


Suicídio.

Foi uma mistura de reconciliação, amor e velha guarda. Eu marquei o dia para um suícidio de personalidade. Me esquecer por um dia e viver a inexistencia. Fazer parte de nada e não ouvir, dizer ou respirar. Eu queria estar ali, sem carne, sem massa, sem pisar. Eu disse onde iria, porque eu queria que soubessem como eu me perdi. Eu olhei pra trás e eu disse 'Obrigado', por todo o tempo e por ter-me dado uma vida que hoje eu me recuso viver. Talvez porque não seria a mesma, nem que eu tentasse. Talvez porque o mundo deu voltas amais. Talvez porque as pessoas se tornaram, em meses, de melhores amigos a totais desconhecidos. E o que seria de mim se ainda fosse o mesmo condenado ao um pra sempre quebrado, a um resto de dias preso em dezembro.

Caminhei só então. E não me demorei a cumprir o tempo e chegar perto daqueles que tem mais de mim do que sobrou em meu peito. Eu sorri ao avistá-los, mas um deles faltava. Cumprimentei-os e me senti um pouco mais vivo, do que quando não estou assim tão proximo de mim. E eu só me vejo no espelho quando posso encontrar na sua voz as minhas palavras esquecidas e no teu cheiro o meu lar. O menino veio até mim, sorrindo. Me deu um beijo na face e esperou até todos colocarem-se no caminho de partida. Eu estava amedrontado com mais uma tentativa de nos unir, mas dessa vez parecia tão natural. Os olhares, os sorrisos e a vontade presente de estar todos, em um só.

A quadra tinha cheiro velho e a pintura quase não existia. Assim incolor como meus olhos escolhiam soar. Eu pretendi esconder minha impressão para não chamar qualquer atenção, mas eu estava tão só como nasci. E sendo mais honesto do que você aguentaria ouvir, eu me fiz em solidão porque eu não quis segurar nenhuma mão, já que meu mundo se partiu em quatro desde que eu não pudi resistir e virei pedra ao me virar. E a verdade me atingiu assim como um anjo, o choro me amaldiçoou e quando a lágrima congelou, ainda dentro de mim, eu me vi assim, num reflexo do cristal, preso. Dentro dessa solidão própria e instável. Essa solidão que todos nós compartilhamos e nos liga ao mesmo tempo que não nos une.

O tempo parecia desesperador para todos, só eu estava acalmado, talvez seria melhor dizer acostumado com a espera. E enquanto meu cigarro pudesse me ocupar das conversas que eu tentei evitar não me via apressado. O tic-tac era o marcador natural de toda minha história e são sempre as horas, as semanas, os meses. Mas em si, as horas. Elas que fazem o momento, a ocasião, a escolha das palavras, o meu impulso e para mim, o amor.
Eu só o vejo assim, desde então. Um tic-tac acelerado e destemido. Ele poderia até ser ousado, mas sem dúvida era bravo e encantador. Mágico também se encaixaria, mas nunca eterno. Não. Nada mais que a eternidade do segundo, do que o gosto permanente do primeiro gole e o fim do primeiro ato dessa peça.

Finalmente, a mistura maior se jogou sem cartas. A vodca barata, as palavras não ditas, os antigos e os novos amigos. O desejo. Tudo eu engoli e não permitiria nenhuma ansia. E quando me dei por mim, estava deitado olhando para a menina do sorriso brilhante. Disse 'Eu te amo', eu existia ali, naquele tic-tac instantâneo. Depois já desapareci de novo, uma simples aparição minha, um curto resquiso de quem eu sou.
Levantei-me rápido demais pro meu próprio organismo. Mesmo não sendo ninguém ainda tinha que respeitar o meu corpo. E isso só contribuiu assim como a fumaça auto-destrutiva para pior meu estado. Eu sorri, porque era uma leveza inexplicável. Não pudi ser outra pessoa, não pudi apagar minha existência, mas pude fingir não sentir.

Entramos na casa, numa bola de mentira. Fui o primeiro a entrar e ocupar o banheiro. Acompanhado. Um beijo, sem surpresa. E foi criando-se expectativa e a diversão a partir do alcool correndo em minha corrente sanguinea. Meu corpo pedia desculpas pela minha necessidade de estar com alguém. Meu rosto não tornou-se vermelho, apesar de eu estar humilhado pela cena patética que eu me deixei levar. Eu culpei o drink, quanta covardia. Eu só não queria ser homem, eu só não queria ser mais do que um menino de dezesseis anos.
Ele saiu primeiro, e eu pudi respirar. Terminei de me vestir e lavei o rosto, as mãos... Não posso dizer que me arrependo ou que não foi bom. Deus, como foi. Mas eu estava sem indentidade, sem sexo, sem postura, sem personalidade. Para um personagem, poderia ter sido uma vida inteira. Um amor eterno ou uma tarde irrelevante.
Eu fechei a porta atrás de mim, olhei para todos os rostos que me devolviam o olhar. Caminhei em direção ao próximo que levaria outra parte de quem eu sou ou com um pouco de sorte, dividiria comigo um pouco do que guardou de mim.

Born Woman.

It´s sounding weird when i put these choose of words out of my head. I should be in silence and enjoy the memories. That should be enough. But as i told you today before. As I let the truth goes for a walk, you already know how much i feel it. I´m scaried, ´cause everytime I love i feel insecure, and friendship is worst than boyfriends. And God, i tast the lips of my dreams. The lips of my muse. And i was the beautifull experiencie I´ve ever had. No mouth got so close of what i think about a magic kiss. What i think about two hearts, two tongues, one thing. And honestly, i´m in love with you as always. But it´s not like I ever had before. It´s not about sex, no...no...
It´s different of everybody, it´s not this kind of love 'I want you for me'. It´s something like 'I want to be around when your time come, and the show starts and the world gives up for you, girl'

You were born as woman. As complete. You´re only 15, for four more days. But you´re giant. You´re my golden start and when I look at you i feel my world much smaller. Thanks for this. Fix two picies of people in one, make a heart beat and a soul free.
I´m so proud of you. And i know you can be bigger each day, each breathe. And it´s fucking amazing. You were born to shine and i´m glad that i found you. ´cause I need you so hard and I can´t imagine myself without you, even in a dream.

You´re my best friend, and that´s... is just what I need to breathe and build a smile.
It didn´t change a single feeling for you. Actually just make it bigger. I´m yours as a good friend.
It may sound wrong, but you´re the one. Thanks for beeing who I dreamed and thought you were.