domingo, 4 de outubro de 2009

Brighter.

Eu não sei conter segredos e eu espero que você não conte á eles. Porque eles confiam tanto em mim e a cada dia amais eu deixo (os segredos) passarem, pelos meus olhos, que isso não faz bem a ninguém. Eu espero que não esteja tão visível que meus olhos ainda permanecem molhados, quando não há lágrimas, não há dor, não há nem vazio só medo.
Como eu confio é normal que seja visto de confiança, mas acredite não sou. Então, talvez seja a hora que a verdade seja dita e você possa concordar que eu sempre estive certo, eu não presto.
Havia muitos segredos presos naquela menina e eu-ninguém seria o único á ouvir. Talvez por termos sempre nossos favoritos, acabamos sendo injustos e traindo os indefesos. Mas dessa vez, eu fui apenas quem ouvi, sem trair, sem insistir, sem me envolver.

Eu tentei facilitar, algumas horas atrás. Eu retirei todo o meu time e palavras do caminho, porque todos nós já estamos cansados dessa luta perdida. As sete letras se mantiveram intactas, apesar de eu estar sem cabeça, corpo, alma pra pensar nisso. Eu simplesmente fui acompanhado de solidão, uma voz narrava sua dor, mas eu estava surdo com a minha própria. E me atirei no primeiro ônibus que eu pudi pegar. Fingi tristeza ao me despedir, mas meu desespero pela solidão real era óbvio.
Fiz questão de ficar de pé para admirar cada farol, cada vermelho, amarelo, verde. Cada risada que não era minha e cada casal na rua. Eu apenas abaixei o humor e aumentei os pensamentos. Meu coração acelerou e a falta de ar, que tem sido frequente agora, se fez tão forte que eu desci três pontos antes. E eu, que no ônibus errado estava, não corri. Caminhei com apenas uma luz vermelha presa entre dois dedos. Levei a boca diversas vezes, tentando diminuir a vontade de voltar pra casa. Eu andei apenas pelo menino que hoje se tornava ainda mais meu encanto, nada mais.
Vi a subida logo em frente e depois de uma pausa longa, a coragem não me impulsionou. Mas eu devia á esse menino minha palavra, meu riso e minha presença. Subi pé ante pé. E me agarrei na ilusão de desaparecer entre aquela encruzilhada. E não ter que escolher. Ou pelo menos não enxergar todas as malas largadas pelo caminho. Eu não gostaria de reencontrar todas as roupas usadas, os livros lidos e as fotos apagadas.
Atirei o cigarro longe e sentei. Pensei em tirar outro, como desculpa, caso fosse pego. Mas não liguei para as consequências. E lá fiquei por quase vinte minutos, imaginando quem estaria e o que estariam fazendo dentro daquela casa onde eu já fui adotado.

Como em minha mente, ela também fingiu não me ver. E sorriu pra todos na mesa. Eu via agora que aquela sala estava cheia demais pra nós dois. E só podia respirar quando me ausentava e no banheiro eu podia fazer-me seguro. Naquela mesma tarde já tinha falsificado uma ligação para me levar pra longe dos seus olhos. Mesmo assim, eu os senti nas minhas costas. Preso nos meus atos e vivendo cada respiração minha.
Quando as duas meninas que me fazem um terço foram embora. Outra não voltou. E eu só me dei conta porque eu me sentia estranhamente vivo. E os vivos sentem falta. Eles respiram e precisam de compania. E eles amam, sem dúvida, os vivos amam.
Ao procurar nos quartos, lá estava sentada sozinha. A maquiagem borrada, os olhos apagados e o brilho em prantos. Eu só fui capaz de dizer 'Levante'.
E entregar meus braços ao teu choro. Beijar teu cabelo e respirar pelos dois. Eu não queria estar consolando, quando estava inconsolável. Mas alguém ali podia ser salvo e nunca seria eu. Não queria mais alguém destruído ali. E eu prometi e cumpro, porque eu quero e gosto acima de tudo, que estaria ali. Mesmo que mudo, mesmo que sem valsa, mesmo que sem abraço, mesmo que sem coração, eu não iria embora.

Por fim, ela se abriu pra mim. O que eu pensei que não estaria pronto para fazer. Conversamos, mas eu fiquei perdido em muitos pontos. Depois eu me despedi e tive dois dias de esquecimento absoluto. Voltei com sono e dor no corpo. Algumas decisões e força.

PS. Minha menina, se ainda me permite chamar assim. Eu sei que teu coração se parte em dois e tua escolha, se assim for, não pode ser tomada. Eu sei que eu errei quando eu fiz todo teu esforço em vão. Eu tenho boas intenções, o que não vai te impedir de me odiar no fim desse texto. E eu nunca disse que isso não seria possivel. Mas como eu pedi que te dissessem e eu quero te dizer 'Eu te amo'. E se isso se resumir, o fim, em cada um pegar de volta todas as palavras e o ar gasto. Dividirmos nossas histórias em dois e cada foto. Devolver as lembraças e as cartas. E por fim, criar pra cada um, o seu novo lado. O seu novo enredo e o nosso novo brilho.
Eu não quero crescer longe do que me trouxe aqui. Eu não quero me distanciar do que hoje tem mais partes de mim do que eu mesmo. Eu não quero assistir teu brilho queimar nos meus olhos e se tornar apenas cinzas de alguém que eu fui capaz de morrer e escrever sobre.

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