quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Versiculo Treze.

Então, eu sempre estive certo? Você foi quem errou? Nós ainda somos os mesmos, os dois meninos de filmes? Eu ainda posso contar com você pra me desapontar com o mundo, pra ser igualmente diferente de tudo o que eu já vi? Você pode se reconstruir? Eu sinto tanta falta do teu sorriso e do jeito que eu me sentia ao seu lado. Eu quero recuperar cada respiração dada que eu não ouvi. E de volta, ter cada história em dia. Me conte como esteve o tempo por aqui, essas viagens me mantiveram desatualizados. Você costumava dizer, e eu me lembro bem, 'Toda mundaça traz dor'. E eu descobri exatamente o que quis dizer. Descobri sozinho.

Eu pensei que tivesse matado. O sangue, o choro, de joelhos implorando. Pensei que aquele personagem tivesse sido cortado. Estivessemos em uma nova cena. Outro elenco. Mas escondido, sobrevivendo de pequenas informações, se alimentando de tabela de cada um que o havia visto, tocado, ouvido. Tudo esteve ali presente. E agora que estou a passo de perder outra pessoa. Não sei se é pior perder sem razão ou se ser deixado por escolha ainda dois mais. Eu só me sinto tão inutil sabendo que eu não cumpri. Todas as coisas que eu não deveria ter feito, eu podia estar ainda segurando essa corda. Fazendo-nos vivos. Mas eu larguei, porque você me disse pra largar. Então, sumiu. E eu fiquei por dias esperando você voltar, meses passaram e hoje eu tinha certeza que continuaria assim. Incompleto.

E todos os dias em que eu estive preso em você. Eu me via, assim como todos me conheceram, como tua sombra. E não conheço adjetivo pior. Não importava que horas fossem, o sol nunca te alcançava e eu sempre ficava pequeno. Permanentemente menor que você. E as vezes menor que aquela bola que corria solta e sem medo. Menor que aquele menino que vivia e sonhava sem medo. Menor que qualquer criança acima de quatro anos que dorme no escuro sem medo. Enquanto o meu medo de ser o próximo a te perder me deixava assim, pequeno.

Você acabou de ligar. A sua voz permanecia assim como eu lembrava, porque você se apresentou, achou que eu não reconheceria? Eu não movi um passo, foi você que se afastou. Então, tudo o que você tinha pra falar eu já sabia. Mesmo que esperasse, completamente e desejasse com todo meu peito, ouvir diferente. Você insistiu em colocar as palavras na mesa, eu evitaria ao máximo a sua honestidade em se esquecer de sentir minha falta. A sua não curiosidade por saber por onde andei e como cheguei aqui. Como sobrevivi. Eu tentei ao máximo não chorar ou demonstrar. Mas meu corpo inteiro tremia e eu não consiguia descolar as palavras, se quer criá-las. Eu desisti e me despedi. Soltei a corda. Adeus, Leslie. Não adianta contruir outra ponte, eu não quero outro reino. Esse está embaixo de toda a sua covardia.

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