Todo fim de ano nós devemos agradecer o que esse ano nos ofereceu. O que levou de nós. E o que jamais devolverá. Todo o fim de ano acaba em festa e mesmo que nada se mantenha no começo do novo que agora se enxerga. Eu perdi tantas coisas e continuo sentado em frente a arvore de natal esperando que alguma daquelas caixas tenha alguma parte de mim que teve fim. Eu assisti você sentada na escada, com um sorriso ainda no rosto, mas seus olhos estavam com cara de fim. E eu não queria ver, mas fui o último a aceitar. De novo, eu me recuso a existir sem você. A porta bateu e o carro começou a sair do lugar. Alguma parte de mim, te viu sentindo o vento novo e fresco que batia. E a dor de esquecer, a dor de seguir em frente, a dor de viver.
Eu queria saber como eu fico em meio a tudo isso. Se tudo que vai sempre volta, o que eu tenho ganhado em troca por ser deixado pra trás tantas e tantas vezes? Eu me lembro quando nasci só e quando me tornei em metade. Em um ano e meio eu conquistei amigos, mas antes deles, antes dele, isso ainda é tão recente.
Ele caminha agora com as suas pernas, e nenhuma carta minha jamais chegará na sua caixa postal. Eu não tenho endereço, nem mais palavras. Isso se cessou sem minha permissão. Eu queria ter dito as últimas palavras e não as ter ouvido, ainda achando sua voz doce.
Talvez, isso me deixe realmente mais forte. Estou tão perto do meu fim e tão longe de casa. Nessas horas que eu queria que não houvesse nada além, assim eu poderia cessar tals pensamentos. Tals anseios. Tals medos e dúvidas.
Nesse natal eu não quero presentes, nem cartões.
Mas se a tua caixa me servir, talvez eu queira emprestada. Se eu pudesse viver em caixas, sem mais luzes, sem ter nada pra perder. Porque nem ganhar é revigorante quando não há com quem dividir. Eu sei que até o último momento eu fui, mas não o suficiente. Então, me poupe de comemorações e festividades que eu sequer fui convidado. Eu fui esquecido pelo papai noel. Pelo bambi e tals.
Vendo pela primeira vez.
Há 13 anos
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