Eu me faço da sujeira, teu fiel cavalheiro e me dito as regras deste novo ser quem eu interpreto. Apesar do curto prazo de existência, eu crio uma dimensão que por si própria monta o passado e o contexto de cada fala. Talvez, soe estranho, mas quando a porta bater meu chapeu vai cair. E eu não serei mais teu, nem por um segundo. Eu caminharei por novas terras e nem meus olhos serão os mesmos.
Eu queria poder desmetir e dizer que estarei aqui pra sempre. Seria uma boa frase de momento, encaixaria, eu senti as palavras sairem por impulso, por tradição. Mas eu me segurei porque não quis ser outro personagem, agora era o ator único existindo.
Desde quando isso começou? Se sempre foi assim ou apenas depois de perder minha identidade...Bem, eu não sei, nem como cheguei aqui ou como me parar. Eu apenas sinto essa solidão que eu tento preenxer com enredos e pessoas. O que não me satisfaz.
Eu me esqueço das saudades e das pessoas que eu sinto falta. Assim, eu me seguro (mesmo sem perceber) e me distancio. Talvez, seja orgulho que queiram chamar. Não ligo pro nome se isso não trará felicidade a ninguem. Como explicar isso sem causar mais dor? Talvez, só você, meu papel em branco possa receber tal honestidade sem delongas, sem metáforas, sem amenizar uma só força que cada palavra traga.
Eu já não sei quem sou. Mas eu sempre fui completamente consciente e mesmo bebado. Mesmo esquecendo meu sexo, meu corte de cabelo, meu nome, minha cidade, ainda sei o que é ser patético. E cada soluço que dei e ansia que senti, eu quis me desculpar. Mas eu não poderia voltar atrás, agora que cheguei tão longe.
Oh, misericórdia. Como aguentar isso um minuto amais?
Quem sou eu agora? Todo mundo me soa estranho. E eu estou com medo.
E se todo mundo estiver se transformando, essa paranóia não pode ser tratada.
Porque eu não confio mais em você. Porque eu me sinto cada vez mais sozinho, mais sozinho.
Vendo pela primeira vez.
Há 13 anos
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