Se lembra da primeira vez que te escrevi? Um abraço foi tudo o que esperei em todos essas longas estações na qual nevou sem você. Eu nunca me senti tão pequeno e frágil e talvez o teu superpoder pudesse ter feito o mundo parar de girar. Você sempre soube que sua voz me faria ficar. Como me deixou te deixar então? Como eu prometi...eu estarei aqui, com uma xicára de café e biscoitos. Eu tenho tantas histórias para te contar, mas primeiro você. Me traga noticias, porque eu andei longe. Eu andei por ruas contrárias as que eu quis. Eu não disse nada, outro pedido teu. 'Dispense Ois e Tchaus'. Pensei em dizer 'Volte pra mim', mas acho que no fim o que foi dispensado primeiro fui eu. E tua escolha foi feita. A minha também, por isso, permaneço aqui, de braços abertos pra esquecer toda essa história. A música que disseste lembrar de mim, foi o tema do meu inverno. E nenhum drama tem sido tão duro quanto a realidade. Todo o dia, uma rotina de cansaço e solidão. Eu estive me perguntando onde você está agora? Eu sei que eu não estive, não deixei um número para você ligar.
Você precisava de amor. Mas isso doi, amigo. Eu sei bem. E por isso não queria te deixar só, porque eu não conseguiria desmentir cada texto, respiração e ameixa aqui plantada. Eu queria poder fazer isso menos obvio, te impressionar. Mostrar que o tempo me fez ser alguém diferente do que você deixou. Mas eu aparentemente permaneci igual no meio e tal universo que eu não me encaixo. Deus, eu nunca precisei tanto de você. Eu não vou te culpar, nós sabemos. Eu não sou um juiz e nunca pretendo acusar ninguém. Porque eu estou muito longe da perfeição, talvez eu caminhe no sentido contrário dessa conquista.
Agora sobre mim, quebrando qualquer barreira ou desejo meu em ti. Eu honestamente me confundo com as certezas que eu sinto. Eu te fiz meu mundo e rezei por não sobreviver ao fim. Mas novembro chegou ao fim, e com ele levou toda a esperança. Você estava aos poucos sumindo...Sua voz estava menos nitida, seu rosto estava distorcido, eu não te reconheceria. Eu então tentei te recriar, porque eu precisava me despedir e uma vez com a porta aberta, você se alojou em qualquer visão minha. Eu mudei tanto, o que você diria de mim? Eu repeti isso pra mim a cada noite que eu estava só e precisava de você. O que você estaria fazendo? O que você estaria pensando? E agora? Quem me devolve o tempo e me dá recompensas?
Poesia se fez quando a campainha tocou e o portão se abriu. Tanto tempo havia se passado e eu estava ali, exatamente do mesmo jeito, eu até poderia inventar uma data. Começo do ano, estava chovendo, eu deveria ter almoçado macarrão e provavelmente chegaria em casa após muitas risadas e doces palavras de um menino surreal. Eu poderia fantasiar que você escolhera viver naquele segundo em que as palavras abandonaram tua boca e me fizeram querer fingir me enganar da certeza que estava completo. Eu poderia mentir dizendo que você ainda é o meu número um. E que tua lista ainda permanece sem negativos. Mas sem dúvidas, eu jamais poderei retirar uma certeza. Eu não quero e por mais que eu achasse que um dia conseguiria, eu não vejo porque. Eu não desejo mais ninguém. Eu não sinto que mais ninguém entenderia ou faria tanta falta.
Com amor,
do seu maior fã.
Vendo pela primeira vez.
Há 13 anos
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