Não tive êxito algum. Nenhuma parte de mim retornou á mim, como deveria acontecer. Talvez, eu deixei escapar ainda mais. O menino inocênte mais uma vez foi meu. E eu pudi sentir um sorriso na minha face, um que eu não esperava. Eu me senti um pouco mais real, menos transparente talvez.
O tic-tac me arrangou de teus braços e me pois em mim. Digo, me tirou dos braços e dos seus lábios e me pois só. Sentei-me, aliviado. Algo parecia correto e me deu um pouco de esperança.
Mas porque a menina que meu coração gritava admiração estava tão tristonha. Eu não conseguiria nunca entender como teu brilho não reflete e teus olhos não são capazes de enxergar. Essa neblina que criaste para se ofuscar dentro de si mesma. Horrível foi testemunhar tua ignorância em tua beleza plena. Eu não encontraria brilho maior em nenhum sorriso ou nenhuma voz. Eu jamais acharia tal originalidade em qualquer outra inspiração. Então, me coloquei a observá-la. 'Oh, menina dos meus sonhos, o que te faz mal?'. Eu não pudi evitar meus lábios encostarem nos teus. Eu queria isso tanto, como se assim, eu deixasse claro que eu quero e pretendo estar aqui todos esses anos que a vida me oferecer. E nunca havia sentido tal realização, mesmo quando flutuo na água e caminho sobre o fogo. Quando eu ouço palavras que me oferecem caminhos e companias, nada me fez tão bem.
E eu então fechei os olhos, não quis abrir por um segundo sequer. Eu estava com a pessoa que faz meu coração soar uma melódia esperançosa e se pudesse ter uma letra, seria cantada em notas belas que o teu, por impulso, por costume atingiria.
E talvez devesse ter sido bem menos. Mas eu não pudi me controlar, eu queria guardar você dentro da gafarra que eu deixarei pra todos que ousarem me procurar. Aqueles que ousarem dizer saudades ou amor.
A menina então foi tirada de mim. E eu ouvi um barulho estranho pulsando em meu peito, talvez fosse engano. Mas parecia algo bem próximo de um coração. Meu Deus, ele estava de volta. Fraco, sangrando...Mas eu podia sentí-lo agora. E não fui o único. Mesmo tão fraco, a casa inteira parecia tremer. E o barulho tão grave quanto o som do meu baixo preto estava assustanto todos. Eu sorri, mesmo envergonhado. Sentei-me por um tempo. E me ofereci um copo de lembranças. Tomei até a última gota a experiência de lembrar próximo aos que pertecem a lembrança. Assim, pudi enxergar a evolução pessoal, individual.
Por último, mas definitivamente não menos importante. O menino que eu já dediquei cartas e tic-tacs. O menino que me fascina mesmo mudo e mesmo quando esteve longe, eu quis ser seu. E hoje fui, inteiramente. Por um tic. E ele foi meu. Durante todo o tac.
Seu beijo estava mudado, mas a essência era a mesma, o gosto o mesmo e o cheiro encantador o mesmo. Eu de olhos fechados ao mundo, ao teu lindo rosto, a verdade. Eu insisti em mais tempo e pudi sentir seus lábios nos meus trocando vidas. Eu o amo. Sem dúvidas.
Independente da forma ou do que me aguarda, eu sei que está escrito em mim teus nomes e teus espaços. Três meninas estavam lá, intactas. E se eu pudesse descrevê-las eu ficaria honrado em fazê-lo. Mas uma roubou meu coração e agora está acorrentada longe, muito longe de onde eu queria que estivesse. A outra tornou-se insubstituível e absolutamente amável e necessário em meu dia-a-dia. Eu preciso do teu riso e do teu humor. Da tua sabedoria e tua força. E a menina que eu sempre deixo pro fim. Não porque seja a última que me venha a cabeça, mas é a última que me pego pensando antes de adormecer. A que me motiva a lutar e tem um sorriso que me quebra em pedaços... Fáceis de repor com teu abraço desigual.
Me senti estranho ao voltar pra casa. Após o banho me senti com um dia a menos de vida. Como se tivesse sido roubado. E eu fui pra cama com os olhos brilhando. De vida.
Pela dor acomulada, pela perda e o medo misturada com a reconcilhação, os beijos e todo o amor que eu tenho pelas pessoas responsáveis por me trazerem te volta, mesmo por poucos segundos, quem eu fui.
No meu antigo corpo habita alguém que eu não me orgulharia. Alguém que eu não me apaixonaria. Mas as vezes, por questão de um tic e um tac, eu me tornaria de noivo o teu amante. O teu amigo. Somente teu.
Vendo pela primeira vez.
Há 13 anos
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