domingo, 25 de outubro de 2009
ABC
V.
Eu não estou acostumado a pessoas que se importem. E o meu maior medo de me quebrar, me fez errar. Eu queria fazer aquilo comum e ignorar todas as fantasias que a noite me vestia. Eu comecei, então, pela auto-destruição. Eu fiz as coisas erradas, as quais eu não precisaria. As quais não se satisfariam e muito menos me trariam solução, vontade ou resistencia. Eu segui então a procura do motivo de eu estar ali. Eu o encontrei deitado com a música alta levando-o para outros lugares a quais eu não fazia parte. Eu deitei, arrependido e querendo repetir desculpas. Ele disse 'Você demorou'. E a lua sorriu ao meu renascimento. 'Estava te esperando' e eu me senti vivo. Abracei-o e senti cada parte do teu corpo encaixada em mim e cada respiração e existência soando harmonicamente. Eu deixei meus labios cairem nos seus e mesmo sabendo que não estava em condições de diferenciar realidade de mera imaginação, eu pudi ouvir sinos. Como aqueles de natais, que trazem esperança, carinho e amor. Eu fui surpreendido pelos teus olhos cheios de sinceridade e douçura. Eu não resistiria, nem por medo. Eu fechei os olhos e poderia fazer aquele momento durar dias. Eu fui despertado pelo dono da festa para que fossemos pra fora de casa. Todos então começamos a subir as escadas. Eu disse, como única resposta 'Você é diferente'. Ele sorriu e disse 'Eu sei'.
No meio do caminho das escadas sem fim, a verdade me derrubou alguns degrais. Mais rápida que minha boca e minha decisão. Eu pedi concelhos e vi que não poderia confiar naquelas mãos que me ofereceram. Seu rosto era triste e bravo. E mesmo assim, continuava lindo e doce. Eu tentei explicar as coisas, eu tentei retrucar qualquer coisa que provasse quem eu era. Mas meus atos falavam por mim quem eu me tornei. E eu não pretendo continuar assim. Eu não pretendo regredir quando eu tenho um mótivo pra me refazer melhor, melhor do que qualquer esboço que já desenhei.
Depois do perdão, ele estendeu sua mão e me levou pra casa. E sem sono, ficamos dividindo pensamentos enquanto o sol se demorava a chegar, por um pedido meu de mais horas, minutos, nem que fossem segundos, ao teu lado. Eu me sentia bem e querido. Como eu já disse, não estou acostumado em me sentir assim. E quando recebo, eu sei que eu não valorizei e podiamos estar em outros assuntos.
Ele me contou a verdade do mundo e como estamos enlouquencendo preso nessa cidade. Eu lacrimejei e disse que não era justo. Que eu não podia aliviar a culpa de matar, de sobreviver, de ser forte. E mesmo toda a angustia entre nós, eu não me senti só, eu me senti tão bem. Quando ele disse 'Amor' e passou seus dedos no meu rosto, eu não pudi recusar outro beijo. Outro desejo. Outro e mais outro e quantos mais eu pudesse oferecer de mim.
Estranho, mas eu sentia que eu tinha algo pra lhe oferecer e talvez ele quisesse isso de mim. Ele quisesse ser parte de mim. Atrás de mim, me abraçando, pudi olhar o céu e estar completo. Eu estava salvo de qualquer necessidade de escape. Sem mais cigarros, bebidas, corpos, mentiras, auto-destruições...Sem mais necessidades. Por fim, ele se rendeu ao sono e caminhamos até o quarto. Eu fiquei olhando admiravelmente e ele se envergonhou rápido demais pra que eu pudesse disfarçar. Deitamos um ao lado do outro e por fim, ele me abraçou e fechei os olhos, com os teus braços no meu peito e mais alguns sinos.
Eu acordei algumas horas e pudi te apreciar. Eu pudi te ver meu. Eu pudi me ver seu. E não era pura arte, teatro, costume, impulso, era apenas eu mesmo. Eu tive que mudar de lugar, pra mais longe, porque não podiamos ser vistos juntos. E eu fiquei ali, ainda o fitando até o sono me ganhar e me por ao teu lado, outra vez.
No dia seguinte, as flores pareciam vivas e coloridas. E ele se sentou ao meu lado, perguntou se eu havia dormido quando estava com ele e porque me afastei. Eu disse que não havia noite melhor e teu sorriso já pagou todo o meu medo e divida em ser covarde. Quando o telefone tocou e eu sabia que estava me despedindo, cada segundo. Eu então repensei em cada segundo ali vivido e no caminho de volta, a cama elástica onde abrigou o nosso abraço permaneceu ali. Mais algumas labios nos meus e mais algumas borboletas enlouquecidas.
Eu sei que desapontei, mas a tua espera resultou em minha alegria.
E agora, talvez seja a minha vez, e eu esperarei. Porque eu quero fazer isso dar certo, porque você é diferente, tua preocupação me faz me importar mais comigo mesmo e teus olhos são os que eu desejo ser seguido.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Peter Pan.
Talvez, eu já estava me repetindo. Em versos, em erros, em palavras e em personagens. Eu já fui bem mais do que eu fui nesse inverno. Eu estou tentando me refazer em um esboço já terminado. Eu preciso de algo novo, mas não pessoas. Porque eu estou cheio de pessoas e suas mentiras.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Cap. XX
Eu me lembro de me sentir seguro porque depois de qualquer tempestade sempre haveria aquela menina. E assim, excluo todas as outras. E excluo todos os outros sorrisos e olhos que eu procurei. Eu tenho curiosidade e tenho vontade de conhecer tantos universos e pessoas. Minha ambição pode ter arruinado tudo, já que me sentir vunerável é extremamente bom quando é mera boboeira porque nunca estive só.
Mas quando todo o meu medo se fez realidade e eu perdi tudo o que eu troquei. Eu me vi com todo o resto que me havia sobrado e com sorrisos por eu estar de volta. Mesmo assim, eu não me cansei de ser egoísta e me fiz alguém quebrado, despensando todos outra vez. Nada me satisfazia e nada me traria o que eu deixei ir embora.
Meus traumas foram de novo abertos, com uma faca maior. Eu ainda não pudi perdoar e isso é autodestrutivo. Mas eu me vejo livre de recaidas. Eu sou maior que tudo. Como você dizia, eu sou maior do que isso. Do que esse sentimento e do que eu me fiz. Mas agora suas palavras soam irônicas, parece que você acha que eu era e agora minha mudança foi permanente. Veja, eu nunca sou permanente. E nós dois, não pertencemos a ninguém. Nem a nós mesmos. Mas eu gosto de me enganar e te chamar de minha e me entregar á ti.
O tempo voou pra mim e eu não pudi me despedir de cada fase que eu criei. Eu não posso te obrigar ou pedir pra ficar, porque eu sei que quando estavamos em papeis trocados, você não o fez. Talvez, devesse ter feito. Deus, nós eramos... Nada nos denominava e o tempo não parecia importar porque eu era certo que até onde ele durar seriamos eu e você.
E eu quero isso. Mas também não posso dramatizar tanto, até pra mim seria errado. As coisas não acabaram, apenas mudaram. Só não soe como coisas naturais, porque eu estou cansando dessa naturalidade na morte. Na vida. Nas coisas.
Eu não quero me acostuamar com isso. Eu quero ser do contra e repetir que isso está fora do controle e das minhas mãos.
Essas frases e sentimentos dos outros de tarde demais. Não é como nós somos ou faziamos. Eu era a exceção e a razão de tudo. Assim como você nunca se juntou aos outros ou foi comparada.
Eu preciso ir.
Eu preciso sair.
Eu preciso fugir.
Eu não quero mentir.
Eu só não vou mais fingir.
Talvez, seja a hora de reagir.
Novos amigos.
Então, a correria de servir, de montar caixas pra esconder mais sabores, o corte exato me fez alguém melhor e menos solitário. Eu de luvas e uma máscara que esconda meu sorriso inapropriado, mas vivo em cada segundo demorado e hora ainda não passada. Trabalhando.
E se eu pudesse permaneceria ali até o fim do ano, até as dúvidas sumirem. Mas quando o carro me pega e estamos de volta nas ruas, o céu não me atrai e sem sono, eu relembro coisas que eu não teria á quem compartilhar. O cansaço...Maior que meus pés, ombros, ouvidos, boca podem contar.
Eu jurei, quando decidi o novo nome que estaria independente de qualquer coração. E eu tentei e peço desculpas quando se sentiu frágil, sem apoio. Mas eu nunca soube diferenciar teu medo, tua vontade com a tua reprovação.
Desculpe, garota. Mas eu não posso contar com você. E com nenhuma das outras. Isso é tão pessoal e eu jamais diria isso de novo. Eu quase cheguei a expor meu peito inteiro á um menino que hoje, todos nós sabemos, onde e com quem está.
E o que era precisso se tornou só vontade
E a vontade é mera impressão
E ao declamar em versos eu já a abandono
E mais uma vez me vejo ao chão.
É triste ver teus olhos refletirem solidão, eu não sou mais capaz de te fazer querer voltar. Porque eu não sou mais quem encaixava perfeitamente no teu sorriso e nós deixamos todas as antigas conversas e todas aquelas barreiras, aquelas histórias que NUNCA serviriam em nós nos fazer quem somos. Você sabe se cuidar melhor do que ninguém. E eu fico feliz que esteja a salvo, mesmo que eu não perdoe minha necessidade de te ver aqui.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
A verdade.
Você não tem sido nada do que eu preciso como não tem se adaptado a cada fase minha. E não venha me dizer que você me conhecia, porque eu mudei. Então, supere isso ou desista. Se ficar só te faz bem, permaneça. Mas não se esqueça, isso não será opcional pra sempre. Não vou tentar me tornar inesquecível, porque eu serei enquanto você for quem eu fiz e me inspirei.
Eu estou lutando sozinho por tudo o que eu acredito. Você pode me tornar culpado, mas a consciencia dirá a tua sentença e nós sabemos que você nunca moveu um dedo para nos reaproximar. Você chorou calada e escreveu cartas. Mas você não tentou, assim como não me abraçou quando o mundo se quebrou e até hoje eu não fui capaz de colar.
Talvez, não percebeu que eu sempre achei que existiria um 'nós' e não duvidei. Eu não me senti inseguro um dia se quer, porque eu sabia o que significa minhas palavras e eu as jamais traria de volta pra mim. Talvez, você tivesse dúvidas e as mesmas te sussurraram loucuras e te fizeram outra pessoa que eu não posso reconhecer. Teu jeito doce se fez amargo e tua risada se tornou falsa. Gostaria de impedir o mundo de girar, por hoje no mínimo.
Mas já tenho barba e tenho que trabalhar. Estou pronto para perder meu herói e viver a minha vida. Eu cresci tanto, só. E você nem pode assistir, porque estava longe demais pra me enxergar por inteiro. Só viu o que os seus olhos mentiram e o que a sua boca não disse.
Eu ainda preciso de você e ainda te amo infinitamente. Mas eu não posso ficar me deitando com dores e saudades. Que se desfaça em proza e se torne eterno em letras tudo o que vivemos. Eu preciso ir...Por favor, não me deixe ir só.
sábado, 10 de outubro de 2009
N.
Dramatizar sempre foi o nosso forte, cara amiga. Sempre foi minha intensão e minha forma de demonstrar o que eu jamais poderia dizer sem rodeios. Hoje eu escrevo-lhe o meu melhor, em pequenas palavras que possam transmitir minha vontade de mudar. Se você não estivesse desistindo mim, não diria facilmente, mas sem dúvidas encontrou seu limite.
Eu diria que cresci, mas seus olhos parecem não querer mais assistir qualquer melhora ou fracasso meu. Eu já senti essa desaprovação e você disse que era medo. Hoje eu não sinto medo algum seu, apenas sinto você se desfazendo de nós e criando algo novo, onde eu não me encaixo. Porque não podemos parar o mundo de rodar? Eu queria guardar esse tempo que ainda tenho, que ainda te atinjo, que ainda te faço ouvir.
Talvez, no fundo da piscina. Agora eu sei que eu não conseguiria nadar. Eu me encontre e me sinta melhor. Mesmo assim, eu acho que terei de viver desajustado, sem me sentir de novo. Viver pelos outros é mais díficil do que morrer por eles. Eu simplesmente não sei se posso mais. Quando tenho tantos desejos de me prender em versos e me soltar, me livrar da necessidade de amor, de ar, de vida.
Eu não terminei com o seu mundo. Eu não estou satisfeito do que vivemos. E você jamais insistiria em dizer que ainda existe vida sem você.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Ghost.
Eu não consigo perdoar, ela me disse isso. Porque ela sabia mais de mim do que eu mesmo. E eu não consigo mais pensar nisso. Deus, ela está sendo igual á ele. E eu vou me parar antes que eu diga coisas que eu nunca deveria pensar. Eu quero aquela certeza que um dia a sós me traria. Mas você parece começar a desistir de mim. Seguir seu caminho. Usar a sua individualidade e me por em indiferença.
Talvez seja apenas saudade ou vontade, mas nunca necessidade. Então, você já terminou com o meu mundo? Já está satisfeita? Por favor, retire minhas palavras de mim e mostre quem você é. E quem eu deveria ser. Eu ainda não me fechei e não me fiz aquele que você odeia. Mas estou perto disso, a cada dia.
Uma menina se magoou comigo. Eu sei que eu não poderia me destruir. Iria ferir demais. Principalmente á ela. Mas eu também precisava me apagar. Se um dia fui chamado de estrela por algum olho encantado, eu me desfiz e me tonrei como me vejo, sem brilho.
E eu costumava a ter medo que mais alguém pudesse ver como meus olhos me fazem. Me reduzem em falhas. E sonhos não-realizados. Eu sou um grande fracasso, mas cheio de coragem.
Hoje eu decidi que me retiraria de mim. E sem repetir, iria me ausentar em ar, vida. Eu estaria ali, a qualquer momento, a qualquer leitura. E mesmo não sendo o suficiente, seria o meu melhor. Mas eu já não sei mais. Eu só não quero me tornar uma copia. Mesmo sendo esse lixo que me tornei. Eu ainda me sinto eu mesmo. Talvez, esteja sendo mais eu mesmo do que eu fui quando tentei ser ele.
Eu honestamente só peço á menina que tenhas coragem. Porque se você escolher seguir o caminho mais difícil e tente ignorar todo o nosso tempo gasto e marcado. Então, que tenhas forças... Mais do que eu seria capaz de te oferecer. Eu realmente sonho com a tua determinação e me ofenda dizendo verdades, que eu sei, que tens pra mim.
Ah se uma conversa pudesse resgatar quem éramos. E se essa mesma pudesse te trazer mais pra mim.
Você se manteve por nós dois, o que eramos. E quando eu não era mais nada, você atuava os dois personagens. Você sempre soube as minhas falas e os meus passos. Não se esqueça, ao menos de três palavras e nem de dois olhos castanhos que te esperam.
Lealdade.
Me sinto previlegiado por tudo que escapa dessa sala acabar voltando pra ela. Assim sou capaz de ouvir meus rumores andando como cobras, ao chão, por todos os lugares onde eu jamais andaria. Me assusto então ao pensar em quantos ouvidos também já não abandonaram sua lealdade a mim. Uma boca sussurrou um grande segredo que eu não pudi manter silêncioso por tanto tempo. Se fez em pó, a confiança.
E hoje, quando me encontrei, sentado no sofá soluçando verdades. Expus meu medo á menina que não tenho medo de ser quem sou. E ela sorriu diminuindo meus medos, com sorrisos. E um abraço e um beijo foi o suficiente para me deixar seguro. Eu sabia, naquele momento, que eu não estava sozinho. Também descobri como eu ainda não o perdoei por não estar ali. Naquele exato momento e em todos os demais que já passei passarei ainda, nessa luta diária.
Eu surtei, assim como um personagem problemático. Quase precisei de uma sacola de pão pra controlar minha respiração. O ar ia se escondendo do meu nariz e eu não conseguia parar de me preocupar. Meu peito começou a inxar e minhas orelhas pareciam estar fervendo...Eu pensei que fosse desmair e dormir. Talvez assim eu me sentisse melhor, mas então um abraço mágico e tão angelical me salvou. Ela disse 'Calma, Calma...Respira'. E o ar voltou ao meu pulmão.
Oh, doce garota. Eu sempre soube que nunca poderia deixá-la ir, Deus, não me vejo em mãos melhores que estive pela tarde.
Eu pensei em suicídio em um mergulho. Não nadei. A água devia estar fria, talvez até mais que meu peito. Ou meus olhos. Eu precisava estar sozinho. Agarrei o poste e ali estava a face de Deus, o que eu realmente acredito. Ali, uma das infinitas faces e existência, ignorando aquele velho senhor de barbas brancas que tentam me empurrar, ali...Como tudo o que eu piso e sobrevôo, ali...Próximo e longe demais pra alcança.
Eu disse que eu sabia que poderia aguentar mais alguns dias, mas eu queria um motivo pra fazê-lo. Talvez, alguém por quem sobreviver.
Mas então eu disse 'Não', agora a beira da piscina. Gritos atrás de mim e passos
premeditados. Eu corri e me sentei, mas ela não foi embora, me pegou pelos dedos e tentou me arrastar pra dentro de casa. Me sentia uma criança e envergonhado disse que não queria, mas me fez ir assim mesmo. Havia alguém nos observando e eu não podia agir livremente, estava acorrentado a aparências, como por toda manhã estive.
Ontem, eu chorei pelo menino que não pertence mais a nenhum grupo. Hoje foi por mim. E ele agora está fora de mim e de qualquer ação minha. E assim, eu descobri o que quer dizer temporário. E eu venho usando muitas desculpas pra ocupar esse vazio com outras pessoas menores do que as que partiram.
O problema de grupos grandes é que eles sempre se fecham. E esse se fechou em três e não estaremos abertos a mais membros. Não leve isso pro pessoal, mas você devia fazer seu próprio castelo, já que não valorizamos a sua preocupação e presença.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Auróra.
Eu estou saciado de sexo. De amor. De drogas. Talvez, de viver. A única coisa que ainda me resta é sonhar com meu próprio crescimento e minhas notas. Eu quero aumentar um tom, refazer uma escala e com sorte, adicionar um riff na minha rotina. Eu já não sei.
Espero que ao amanhecer eu possa me distrair e deixar mais dias passarem por mim, sem atingir minhas palavras que aos poucos se perdem. Estou sem esperança. Mas assim como me tiraram o mundo, sempre volta com o vento e com o medo.
domingo, 4 de outubro de 2009
Brighter.
Como eu confio é normal que seja visto de confiança, mas acredite não sou. Então, talvez seja a hora que a verdade seja dita e você possa concordar que eu sempre estive certo, eu não presto.
Havia muitos segredos presos naquela menina e eu-ninguém seria o único á ouvir. Talvez por termos sempre nossos favoritos, acabamos sendo injustos e traindo os indefesos. Mas dessa vez, eu fui apenas quem ouvi, sem trair, sem insistir, sem me envolver.
Eu tentei facilitar, algumas horas atrás. Eu retirei todo o meu time e palavras do caminho, porque todos nós já estamos cansados dessa luta perdida. As sete letras se mantiveram intactas, apesar de eu estar sem cabeça, corpo, alma pra pensar nisso. Eu simplesmente fui acompanhado de solidão, uma voz narrava sua dor, mas eu estava surdo com a minha própria. E me atirei no primeiro ônibus que eu pudi pegar. Fingi tristeza ao me despedir, mas meu desespero pela solidão real era óbvio.
Fiz questão de ficar de pé para admirar cada farol, cada vermelho, amarelo, verde. Cada risada que não era minha e cada casal na rua. Eu apenas abaixei o humor e aumentei os pensamentos. Meu coração acelerou e a falta de ar, que tem sido frequente agora, se fez tão forte que eu desci três pontos antes. E eu, que no ônibus errado estava, não corri. Caminhei com apenas uma luz vermelha presa entre dois dedos. Levei a boca diversas vezes, tentando diminuir a vontade de voltar pra casa. Eu andei apenas pelo menino que hoje se tornava ainda mais meu encanto, nada mais.
Vi a subida logo em frente e depois de uma pausa longa, a coragem não me impulsionou. Mas eu devia á esse menino minha palavra, meu riso e minha presença. Subi pé ante pé. E me agarrei na ilusão de desaparecer entre aquela encruzilhada. E não ter que escolher. Ou pelo menos não enxergar todas as malas largadas pelo caminho. Eu não gostaria de reencontrar todas as roupas usadas, os livros lidos e as fotos apagadas.
Atirei o cigarro longe e sentei. Pensei em tirar outro, como desculpa, caso fosse pego. Mas não liguei para as consequências. E lá fiquei por quase vinte minutos, imaginando quem estaria e o que estariam fazendo dentro daquela casa onde eu já fui adotado.
Como em minha mente, ela também fingiu não me ver. E sorriu pra todos na mesa. Eu via agora que aquela sala estava cheia demais pra nós dois. E só podia respirar quando me ausentava e no banheiro eu podia fazer-me seguro. Naquela mesma tarde já tinha falsificado uma ligação para me levar pra longe dos seus olhos. Mesmo assim, eu os senti nas minhas costas. Preso nos meus atos e vivendo cada respiração minha.
Quando as duas meninas que me fazem um terço foram embora. Outra não voltou. E eu só me dei conta porque eu me sentia estranhamente vivo. E os vivos sentem falta. Eles respiram e precisam de compania. E eles amam, sem dúvida, os vivos amam.
Ao procurar nos quartos, lá estava sentada sozinha. A maquiagem borrada, os olhos apagados e o brilho em prantos. Eu só fui capaz de dizer 'Levante'.
E entregar meus braços ao teu choro. Beijar teu cabelo e respirar pelos dois. Eu não queria estar consolando, quando estava inconsolável. Mas alguém ali podia ser salvo e nunca seria eu. Não queria mais alguém destruído ali. E eu prometi e cumpro, porque eu quero e gosto acima de tudo, que estaria ali. Mesmo que mudo, mesmo que sem valsa, mesmo que sem abraço, mesmo que sem coração, eu não iria embora.
Por fim, ela se abriu pra mim. O que eu pensei que não estaria pronto para fazer. Conversamos, mas eu fiquei perdido em muitos pontos. Depois eu me despedi e tive dois dias de esquecimento absoluto. Voltei com sono e dor no corpo. Algumas decisões e força.
PS. Minha menina, se ainda me permite chamar assim. Eu sei que teu coração se parte em dois e tua escolha, se assim for, não pode ser tomada. Eu sei que eu errei quando eu fiz todo teu esforço em vão. Eu tenho boas intenções, o que não vai te impedir de me odiar no fim desse texto. E eu nunca disse que isso não seria possivel. Mas como eu pedi que te dissessem e eu quero te dizer 'Eu te amo'. E se isso se resumir, o fim, em cada um pegar de volta todas as palavras e o ar gasto. Dividirmos nossas histórias em dois e cada foto. Devolver as lembraças e as cartas. E por fim, criar pra cada um, o seu novo lado. O seu novo enredo e o nosso novo brilho.
Eu não quero crescer longe do que me trouxe aqui. Eu não quero me distanciar do que hoje tem mais partes de mim do que eu mesmo. Eu não quero assistir teu brilho queimar nos meus olhos e se tornar apenas cinzas de alguém que eu fui capaz de morrer e escrever sobre.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Metamorfose Ambulante.
Eu queria poder desmetir e dizer que estarei aqui pra sempre. Seria uma boa frase de momento, encaixaria, eu senti as palavras sairem por impulso, por tradição. Mas eu me segurei porque não quis ser outro personagem, agora era o ator único existindo.
Desde quando isso começou? Se sempre foi assim ou apenas depois de perder minha identidade...Bem, eu não sei, nem como cheguei aqui ou como me parar. Eu apenas sinto essa solidão que eu tento preenxer com enredos e pessoas. O que não me satisfaz.
Eu me esqueço das saudades e das pessoas que eu sinto falta. Assim, eu me seguro (mesmo sem perceber) e me distancio. Talvez, seja orgulho que queiram chamar. Não ligo pro nome se isso não trará felicidade a ninguem. Como explicar isso sem causar mais dor? Talvez, só você, meu papel em branco possa receber tal honestidade sem delongas, sem metáforas, sem amenizar uma só força que cada palavra traga.
Eu já não sei quem sou. Mas eu sempre fui completamente consciente e mesmo bebado. Mesmo esquecendo meu sexo, meu corte de cabelo, meu nome, minha cidade, ainda sei o que é ser patético. E cada soluço que dei e ansia que senti, eu quis me desculpar. Mas eu não poderia voltar atrás, agora que cheguei tão longe.
Oh, misericórdia. Como aguentar isso um minuto amais?
Quem sou eu agora? Todo mundo me soa estranho. E eu estou com medo.
E se todo mundo estiver se transformando, essa paranóia não pode ser tratada.
Porque eu não confio mais em você. Porque eu me sinto cada vez mais sozinho, mais sozinho.
Player.
Em apenas algumas horas um ano mais e a menos estará marcado em cada um de nós. Tanto em cinco como em quinze. Tanto em cima de um palco como nos bastidores, cercados de abraços e poesia reais. E meu orgulho acrescenta mais a cada instante observando, mudo, o teus passos. Teu modo de pensar e agir. Tua originalidade e determinação em ser um ao invés de mais um. E eu não poderia dizer isso á qualquer outro, porque você é tão único quanto você se fez e se tornou pra mim. Eu abriria minha vida inteira, sem hesitar. Eu diria a verdade e nada além. E largaria todas as garrafas enfileiradas, os cigarros já pagos e agora acessos e todo o tipo de libertação através de auto-destruição.
Eu sei que você se sente só, muitas vezes. E eu queria poder mudar isso, me tornar presente eternamente. Mas eu repito como meu coração escreve eu estou aqui. Dentro de cada silába e preso em cada virgula. Eu sou inteiramente teu, em rimas. Em versos, riffs e solos.
Se eu fosse um confeiteiro lhe daria um belo bolo feito com minhas próprias mãos. Se eu fosse um navegador, eu te levaria aos sete mares lhe mostrar o meu mundo. Se eu fosse escritor, músico, desenhista, pintor, mas eu não sei quem sou. Eu apenas sei que eu quero me tornar alguém que se misture com a sua influência e o teu humor. Eu quero levar de você o teu melhor e essa inocência que me faz esperançoso. Eu quero te abraçar quando o mundo se tornar grande demais e tentar te encolher. Quando as estrelas ousarem brilhar mais do que teu riso. E quando te dizerem que você não é capaz. Eu quero estar sentado, no teu show, ou do teu lado, no palco. E deitar nas notas, dormir nos acordes e sonhar com essa canção que nos torna melhores amigos.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Auto-Destruição.
O tic-tac me arrangou de teus braços e me pois em mim. Digo, me tirou dos braços e dos seus lábios e me pois só. Sentei-me, aliviado. Algo parecia correto e me deu um pouco de esperança.
Mas porque a menina que meu coração gritava admiração estava tão tristonha. Eu não conseguiria nunca entender como teu brilho não reflete e teus olhos não são capazes de enxergar. Essa neblina que criaste para se ofuscar dentro de si mesma. Horrível foi testemunhar tua ignorância em tua beleza plena. Eu não encontraria brilho maior em nenhum sorriso ou nenhuma voz. Eu jamais acharia tal originalidade em qualquer outra inspiração. Então, me coloquei a observá-la. 'Oh, menina dos meus sonhos, o que te faz mal?'. Eu não pudi evitar meus lábios encostarem nos teus. Eu queria isso tanto, como se assim, eu deixasse claro que eu quero e pretendo estar aqui todos esses anos que a vida me oferecer. E nunca havia sentido tal realização, mesmo quando flutuo na água e caminho sobre o fogo. Quando eu ouço palavras que me oferecem caminhos e companias, nada me fez tão bem.
E eu então fechei os olhos, não quis abrir por um segundo sequer. Eu estava com a pessoa que faz meu coração soar uma melódia esperançosa e se pudesse ter uma letra, seria cantada em notas belas que o teu, por impulso, por costume atingiria.
E talvez devesse ter sido bem menos. Mas eu não pudi me controlar, eu queria guardar você dentro da gafarra que eu deixarei pra todos que ousarem me procurar. Aqueles que ousarem dizer saudades ou amor.
A menina então foi tirada de mim. E eu ouvi um barulho estranho pulsando em meu peito, talvez fosse engano. Mas parecia algo bem próximo de um coração. Meu Deus, ele estava de volta. Fraco, sangrando...Mas eu podia sentí-lo agora. E não fui o único. Mesmo tão fraco, a casa inteira parecia tremer. E o barulho tão grave quanto o som do meu baixo preto estava assustanto todos. Eu sorri, mesmo envergonhado. Sentei-me por um tempo. E me ofereci um copo de lembranças. Tomei até a última gota a experiência de lembrar próximo aos que pertecem a lembrança. Assim, pudi enxergar a evolução pessoal, individual.
Por último, mas definitivamente não menos importante. O menino que eu já dediquei cartas e tic-tacs. O menino que me fascina mesmo mudo e mesmo quando esteve longe, eu quis ser seu. E hoje fui, inteiramente. Por um tic. E ele foi meu. Durante todo o tac.
Seu beijo estava mudado, mas a essência era a mesma, o gosto o mesmo e o cheiro encantador o mesmo. Eu de olhos fechados ao mundo, ao teu lindo rosto, a verdade. Eu insisti em mais tempo e pudi sentir seus lábios nos meus trocando vidas. Eu o amo. Sem dúvidas.
Independente da forma ou do que me aguarda, eu sei que está escrito em mim teus nomes e teus espaços. Três meninas estavam lá, intactas. E se eu pudesse descrevê-las eu ficaria honrado em fazê-lo. Mas uma roubou meu coração e agora está acorrentada longe, muito longe de onde eu queria que estivesse. A outra tornou-se insubstituível e absolutamente amável e necessário em meu dia-a-dia. Eu preciso do teu riso e do teu humor. Da tua sabedoria e tua força. E a menina que eu sempre deixo pro fim. Não porque seja a última que me venha a cabeça, mas é a última que me pego pensando antes de adormecer. A que me motiva a lutar e tem um sorriso que me quebra em pedaços... Fáceis de repor com teu abraço desigual.
Me senti estranho ao voltar pra casa. Após o banho me senti com um dia a menos de vida. Como se tivesse sido roubado. E eu fui pra cama com os olhos brilhando. De vida.
Pela dor acomulada, pela perda e o medo misturada com a reconcilhação, os beijos e todo o amor que eu tenho pelas pessoas responsáveis por me trazerem te volta, mesmo por poucos segundos, quem eu fui.
No meu antigo corpo habita alguém que eu não me orgulharia. Alguém que eu não me apaixonaria. Mas as vezes, por questão de um tic e um tac, eu me tornaria de noivo o teu amante. O teu amigo. Somente teu.
Suicídio.
Caminhei só então. E não me demorei a cumprir o tempo e chegar perto daqueles que tem mais de mim do que sobrou em meu peito. Eu sorri ao avistá-los, mas um deles faltava. Cumprimentei-os e me senti um pouco mais vivo, do que quando não estou assim tão proximo de mim. E eu só me vejo no espelho quando posso encontrar na sua voz as minhas palavras esquecidas e no teu cheiro o meu lar. O menino veio até mim, sorrindo. Me deu um beijo na face e esperou até todos colocarem-se no caminho de partida. Eu estava amedrontado com mais uma tentativa de nos unir, mas dessa vez parecia tão natural. Os olhares, os sorrisos e a vontade presente de estar todos, em um só.
A quadra tinha cheiro velho e a pintura quase não existia. Assim incolor como meus olhos escolhiam soar. Eu pretendi esconder minha impressão para não chamar qualquer atenção, mas eu estava tão só como nasci. E sendo mais honesto do que você aguentaria ouvir, eu me fiz em solidão porque eu não quis segurar nenhuma mão, já que meu mundo se partiu em quatro desde que eu não pudi resistir e virei pedra ao me virar. E a verdade me atingiu assim como um anjo, o choro me amaldiçoou e quando a lágrima congelou, ainda dentro de mim, eu me vi assim, num reflexo do cristal, preso. Dentro dessa solidão própria e instável. Essa solidão que todos nós compartilhamos e nos liga ao mesmo tempo que não nos une.
O tempo parecia desesperador para todos, só eu estava acalmado, talvez seria melhor dizer acostumado com a espera. E enquanto meu cigarro pudesse me ocupar das conversas que eu tentei evitar não me via apressado. O tic-tac era o marcador natural de toda minha história e são sempre as horas, as semanas, os meses. Mas em si, as horas. Elas que fazem o momento, a ocasião, a escolha das palavras, o meu impulso e para mim, o amor.
Eu só o vejo assim, desde então. Um tic-tac acelerado e destemido. Ele poderia até ser ousado, mas sem dúvida era bravo e encantador. Mágico também se encaixaria, mas nunca eterno. Não. Nada mais que a eternidade do segundo, do que o gosto permanente do primeiro gole e o fim do primeiro ato dessa peça.
Finalmente, a mistura maior se jogou sem cartas. A vodca barata, as palavras não ditas, os antigos e os novos amigos. O desejo. Tudo eu engoli e não permitiria nenhuma ansia. E quando me dei por mim, estava deitado olhando para a menina do sorriso brilhante. Disse 'Eu te amo', eu existia ali, naquele tic-tac instantâneo. Depois já desapareci de novo, uma simples aparição minha, um curto resquiso de quem eu sou.
Levantei-me rápido demais pro meu próprio organismo. Mesmo não sendo ninguém ainda tinha que respeitar o meu corpo. E isso só contribuiu assim como a fumaça auto-destrutiva para pior meu estado. Eu sorri, porque era uma leveza inexplicável. Não pudi ser outra pessoa, não pudi apagar minha existência, mas pude fingir não sentir.
Entramos na casa, numa bola de mentira. Fui o primeiro a entrar e ocupar o banheiro. Acompanhado. Um beijo, sem surpresa. E foi criando-se expectativa e a diversão a partir do alcool correndo em minha corrente sanguinea. Meu corpo pedia desculpas pela minha necessidade de estar com alguém. Meu rosto não tornou-se vermelho, apesar de eu estar humilhado pela cena patética que eu me deixei levar. Eu culpei o drink, quanta covardia. Eu só não queria ser homem, eu só não queria ser mais do que um menino de dezesseis anos.
Ele saiu primeiro, e eu pudi respirar. Terminei de me vestir e lavei o rosto, as mãos... Não posso dizer que me arrependo ou que não foi bom. Deus, como foi. Mas eu estava sem indentidade, sem sexo, sem postura, sem personalidade. Para um personagem, poderia ter sido uma vida inteira. Um amor eterno ou uma tarde irrelevante.
Eu fechei a porta atrás de mim, olhei para todos os rostos que me devolviam o olhar. Caminhei em direção ao próximo que levaria outra parte de quem eu sou ou com um pouco de sorte, dividiria comigo um pouco do que guardou de mim.
Born Woman.
It´s different of everybody, it´s not this kind of love 'I want you for me'. It´s something like 'I want to be around when your time come, and the show starts and the world gives up for you, girl'
You were born as woman. As complete. You´re only 15, for four more days. But you´re giant. You´re my golden start and when I look at you i feel my world much smaller. Thanks for this. Fix two picies of people in one, make a heart beat and a soul free.
I´m so proud of you. And i know you can be bigger each day, each breathe. And it´s fucking amazing. You were born to shine and i´m glad that i found you. ´cause I need you so hard and I can´t imagine myself without you, even in a dream.
You´re my best friend, and that´s... is just what I need to breathe and build a smile.
It didn´t change a single feeling for you. Actually just make it bigger. I´m yours as a good friend.
It may sound wrong, but you´re the one. Thanks for beeing who I dreamed and thought you were.