sábado, 5 de setembro de 2009

Familia.

A inocência se esvai a cada dia por cada lágrima ou palavra que me escapa. E mesmo tentando permanecer quieto, meus atos destroem qualquer tentativa de dizer que estou bem. Eu me vi sentado na cama, sem mãos. Sem poder me segurar em qualquer pessoa e pior, sem oportunidades de me levantar por mim. Eu enxerguei meu pior lado e vi o que chamam de solidão. Desliguei meu celular e minha mente, tranquei o quarto e me fiz meu único confidente. E fechei os olhos e tentei me lembrar de cada cigarro que foi esgotado por brincadeira. E cada gole amargo de vodca barata, tão barata quanto meu preço hoje, gasto em roda, em cartas, em risadas. Cada experiência e droga comprada e trocada por uma dimensão amais. Cada amor eterno desfeito em cada começo de dia e cada poema queimado pelas promessas quebradas. Eu dormi menino e não acordei. Eu não sou um homem. Oh, longe disso. Quando eu for alguém, quando eu for mais velho, quando eu me considerar alguém. Oh, isso parece tão longe. Eu me diria 'Chega!'. Mas eu não consigo nem olhar nos espelhos. Eu me escondo de qualquer foto ou reflexo. Eu não quero me lembrar que eu sou aquele menino. Aquele que não tem mais vizinhos. Aquele que não segue mais seus pais. Porque, ele não tem mais heróis. E justo agora, que eu aprendi o que significa familia. O que é amor de pai e mãe. O poder e a indescrição que eu jamais pude compreender. Agora que eu entendo o amor que não precisa conhecer, o amor que não precisa de bondade, o amor que não precisa de tempo. Ele é eterno e eu só terei dois únicos anjos como esses. Graças a Deus, eu os pude deixar saber o quanto eu quis ser como eles.
Tem uma menina calada no quarto. E eu tenho medo de perdê-la quando perder todo o resto. O rumo. O herói. A inspiração. O grandão que sempre me tiraria dos problemas. Aquele que mesmo não entendendo aceita. Aquele que me abraçou quando eu estava em pedaços com medo por ser diferente. E ela tentou se matar, há menos de cinco meses. E eu nunca saberia porque. Eu nunca olhei pra ela como deveria. Eu sentia orgulho e extrema admiração. Mas e se toda a força que eu penso ver for medo. E toda a individualidade não for por escolha. Deus, eu quero um lugar pra me esconder e não ter de olhar pra luz. Tirem-me a esperança e me mostrem o caminho pra seguir só. Já que eu perdi a inocencia que tudo ficará bem. Que eu não tenho mais treze anos e eu não posso culpar meus pais por eles estarem sofrendo. Por eles estarem desaparecendo. Eu não posso correr e fugir disso tudo. Então, me vestirei de preto. E colocarei um oculos e vou enterrar todos esses pedaços de textos que não me satisfazem, não me trazem paz alguma. Só saudade de quem eu fui. Das oportunidades que eu tinha. E dos amigos que eu fiz. E alguns não darão meio volta pra me trazer um sorriso. Não ele.

Nenhum comentário:

Postar um comentário