Eu me lembro bem, de quando me disse, 'Hoje, eu queria sumir'. Tão infantil, tão doce, tão frustrante ouvir isso. Quando você decide parar com a metalinguística, e está ali do seu lado uma verdadeira estrela. Brilhante. Reluzente e inrestivel de não prestar atenção. Como alguém poderia ser tão egoísta de manter esse brilho todo pra dentro? Como alguém é capaz de desejar desaparecer levando consigo tantas partes de mim, tantas verdades de mim, toda a minha força e oxigênio. Eu sei, menina, eu nunca estou te escrevendo cartas. Eu sempre fico calado e ignoro suas revoltas. Mas você nunca percebeu? Oras...Como não? Você sempre foi tão esperta. E eu pensei que isso estivesse bem explicito. Não consigo juntar palavras que formem qualquer sentido que teu brilho não destrua. Não consigo escrever linhas que te reduziriam em tão pouco, em tão pouca verdade, em tão pouca doçura, em tão pouca paixão.
Eu nos vejo, de longe, como um casal engraçado. Estranho, eu sei. Mas eu gosto até de pensar assim, um casal quebrado, que não existe, mas daria certo. E em algum lugar, dará. Em algum lugar fará sentido. Todos esses seus lados que me irritam, essa facilidade de estragar momentos, essa curiosidade de saber detalhes e esse olhar falso-bravo que me encanta. E eu não consigo mantê-la afastada, por tanto tempo assim. Eu me desfaço com teu corpo. Eu me transformo no que você precisa ser. Eu serei eternamente seu amante, seu guerreiro, seu amigo, seu confidente. Eu sei que eu não tenho sido muito, ou quase nada. Eu me reduzo ao que eu me conforto em ser. É mais fácil assim, sendo fraco e limitado. Mas eu sou mais que isso e você enxerga isso de longe.
O jeito bobo que você tem ao dizer alguma coisa que eu sei que é verdade. Mas você não assumiria, você acha que eu não sei? Que você quer me contar tudo? Eu só preciso pressioná-la, porque eu sei que você quer se abrir. Eu sei o quanto nós queremos isso. Essa intimidade sem restrições. Eu levaria-te á lua, para podermos sentarmos e conversarmos sobre o nada. O vazio que sentimos. Eu queria mais dias como aqueles que o mundo parece se desligar do nosso lado e estamos só nós dois. Completamente excluidos do certo e do errado. E fazemos o que queremos. Somos os reis do mundo. Se lembra? Como eu cantei aquela canção, naquela valsa muda? Eu lembro de me perder totalmente em suas cores, e ali eu construi todo nosso universo seguro. Protegido pelas memórias que aquele dia nos rendeu. Eternamente.
Eu sei...
Nós temos algo especial aqui. Eu sinto isso mais do que pensei sentir por alguém. Não é nada definido. E eu gostaria de manter isso, mas nada dura tanto. Vamos ser realistas. Mas o quanto durar, até quando durar, será magnífico.
O nosso dia ficou guardado, como soubemos fazer. Eu sei que poderiamos ir juntos a qualquer lugar. A qualquer dimensão. Eu sei que mesmo eu sendo todo complicado e ninguém me entendendo por completo. Você chegaria bem perto.
Eu sei que eu te leria todos os dias e não enjoaria. Eu sei que eu me encantaria em cada amanhacer. E iria pedir que anoitecesse para que pudessemos outra vez dormirmos em silêncio. No silêncio da paz. Da felicidade. Do amor. Da verdade, em três palavras.
Vendo pela primeira vez.
Há 13 anos
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