Como alguém pode não apreciar o rascunho, o pensamento, a escolha das primeiras palavras? Como podem amassar os erros, abandonar o fogo destruindo toda a pureza e sinceridade descritas na primeira tentativa, sem jeito, sem auto-limitação, sem barreiras entre as emoções a folha em branco anseando pela tinta carregada de opções... Manchando as linhas.
Se há alguma honestidade, ela estará certamente presa em rabiscos. Omitida em pausas longas, camuflada na falta de pontuação, no desespero, na pressa, na ansia por palavras.
Considero um bom texto escrito de primeira. Quando o lapiz toca o papel sujo uma única vez do começo ao fim. Sem correções, pausas, reflexões. Sem tempo. Sem caligráfia.
Considero um bom texto um texto morto. Escondido. Esquecido, talvez, dentro de um bolso. Esquecido dentro de uma gaveta. Talvez, eu ache um dia um texto assim. Sem querer.
Talvez, eu encontre assim. Sem querer, um rabisco e o nomeie com teu nome.
Assim como já reduzi o amor em linhas. Posso reduzir-te em arte. Em eternidade. Em infinito.
Vendo pela primeira vez.
Há 13 anos
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