quarta-feira, 1 de julho de 2009

Após três voltas na terra.

Eu encontrei um reflexo antigo, esquecido. Tão antigo, quase que não reconheci, empuerado, sujo. Eu só me lembrei de era eu, quando percebi que ele não tinha boca. Nem olhos. Nem nariz. Não tinha rosto. Não tinha feição nenhuma. Estava abraçando as pernas, com tanta força, e mesmo sem nenhum sentido, eu podia ouvir-me chorar e gritar. Doia tanto. Eu estava caindo, sem mais vontade de me levandar e com tanto medo. Tanta certeza do infinito. Eu só estava por embaixo, como eu comecei a ficar acomodado e só. Eu senti falta de outros reflexos, mas claro, eu estava sozinho. Deus, como voce pode me deixar aqui? Nem me importei na época, estava concentrado em não existir. Estava concentrado em morrer logo. Em sumir. Eu queria destruir aquele que eu era. Sem esperança, sem maturidade de saber que o mundo vai e vem. E tudo é substitúivel.
Eu começo a sentir as marcas que meu reflexo faz, na minha perna. Agora, em mim, já se catrizadas, já saradas, não esquecidas. Mas ali elas estão, comprindo com o seu propósito.

Tenho caminhado como se eu estivesse sempre pra chegar em algum lugar. Mas ainda falta, tanto mar... Já vi o mundo descer e subir, as pessoas perderem o brilho. Você, garota, sabe mesmo o que é assistir mudanças. Você já me viu ser deixado pra trás... Você sabe como eu me senti. Oh, você estava dentro de mim e mesmo quando saiu, tinha certeza, de como eu me sinto.
Eu me sinto de mãos atadas, porque nós sabemos o que o tempo é capaz de fazer com as pessoas. Nós sabemos como tudo é tão covarde e incrívelmente doloroso. Eu não quero perder a chance de dizer, sinceramente, que eu te amo. Porque sabe-se lá o que em o que eu me tornarei daqui mais uma volta na terra.
É verdadeiro. No infinito do hoje. No infinito dos meus olhos.

Eu o amei. Eu te amo. E eu não perderei essa capacidade de me encantar. De me erguer.
Que o mundo gire. Eu vou cair. E eu ainda aprender a rir disso. Deles. De nós. Dessas voltas.

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