quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Six Months.

Hey Monday? Não, Cancer.

Minha mãe diz que é pesadelo, mas eu me nego acreditar que isso é a realidade. E que nela eu deveria estar e viver. Respirar dela e assim, como me diseram, crescer.
As pessoas morrem, para que as outras se lembrem e valorizem cada cor do começo do dia, cada canto no rádio repetidido. Cada respiração que ingere e cada sabor novo que se desfaz na boca. Oh, o mundo está uma loucura. E eu vou me lembrar de como eu costumava vê-lo, vou me esforçar pra me lembrar de quem se sentava ao meu redor e sonhava com algo maior do que realmente é. Soou melhor, o nosso mundo, o nosso castelo, o nosso futuro. Eu simplesmente, gostaria de esquecer da primeira ligação. A noite anterior já tinha sido desapontadora, quando o menino que brilhava e esbanjava diferença se fez comum e se perdeu na multidão. Acordei e as melhores cores do dias, as primeiras, já haviam sumido há muito tempo. Lembro-me da primeira cor, que eu a vi pouco antes de adormecer. Agora já deveria ser a trigéssima quarta ou até mais. Os tons que o céu se transforma são tão imprevisiveis.
Mas a ligação veio. E o nome apareceu na tela. Recusei e voltei-me ao sono. Sem sonho.
O telefone insistiu em tocar, por mais uma hora, sem pausas. Eu finalmente, atendi. Um pedido, que depois seria recusado, foi feito. Mais uma noite fora, enquando o mundo se desfazia e precisavam de mim. Eu disse Sim, mas depois reverteria isso. O porque veio na segunda ligação. O telefone quis escorregar das minhas mãos, mas eu fiz força pra não. As lágrimas vieram e a raiva e toda a dor apareceram sem demora, sem chamada, sem perceber. Desliguei, com medo. E ajoelhei e ali fiquei. Com a perna no peito, as mãos nos olhos. Deus, como doia. E como eu quis quebrar todas as paredes e correr pelas escadas, abrir a porta e sair sem rumo. Como eu estava, sem rumo nenhum. Pra onde fugir. De quem fugir. O que adiantaria?
Meus amigos não me ouviram. Nem ninguém. Talvez, Deus tenha. E aposto que eu sou apenas incapaz de entendê-lo. Eu sou capaz de entender qualquer que seja o motivo de fazer alguém se sacrificar pra outros aprenderem algo. Acho uma vida tão valiosa para ser despediçada assim. Mas como me disseram, foi tudo aceitado antes. E não adianta revoltas. Eu tenho de acreditar que as coisas vão se acertar.
Eu pensei em ter um antigo amigo pra chorar. Mas sabemos que nada mudará como estamos. Nós sabemos que nada quebrara a distância.

Minha irmã se escondeu embaixo do coberto e se trancou pra si. Ela está muda e tão fora de si. Até mesmo minha cachorra, está quieta. Mal sabe o que lhe espera. Enquanto nós aguardamos o fim de uma vida, ele conta os últimos suspiros. Cada segundo amais pra nós, seria um amenos á ele. E cada segundo eu sei que eu vou perder todas as chances de repetir o que eu deveria ter dito sempre, minha irmã irá perder as mesmas chances que eu, minha mãe vai perder o único parceiro eterno que ela desejou ter. Ela irá ficar quebrada por um tempo, sem seu único amante. Sem seu único companheiro. O que lhe salvou e lhe esteve presente desde o ínicio. Minha cachorra perderá o companheiro de caminhadas, e daqui pra frente caminhará a sós.

Espero que ele não esteja com a testa como um cronometro reverso. Mas são sempre as horas. Sempre as horas. Duas semanas...Talvez, seis meses, um ano, com muita sorte.
São quinze semanas, duas horas, talvez sejam mais do que eu tenho.
Sem cura. Sem avisos. Sem forças.

Gone.

Um comentário:

  1. Oi pré, é o vini, sei que palavras não iram ajudar, nem sei o que dizer, sinto saber que você sofre demais, queria poder saber o que diser e tirar a dor das pessoas, me sinto inútil aos meus amigos, bom por mais que não adiante muito


    fique bem, por que você tem muitos amigos, os melhores se me permite dizer, sempre estarei aqui se precisar

    te amo muito!

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