Ele me olhou. E eu soube que era comigo mesmo. Era pra mim, exclusivamente que ele entregava seu olhar. E um sorriso escapou pelo labio e o mundo insistia em rodar. As pessoas continuavam atingindo meus ouvidos e o seu namorado o levou embora. Foi dolorosamente um primeiro de dezembro irremediavel.
Não pude me defender, quando uma mão voou no meu estomago e começou a me acertar diversas vezes. Cai no chão, sem voz, sem vontades. Não me magoava, não me enfurecia, não me atingia. Apesar da dor estar ali, marcando a existencia. Ou a falta de.
As coisas se mostraram estáveis. Ou seja, não tão fáceis de se alterarem. Não tão difíceis de aceitar. E eu corri pra qualquer abrigo. E deixei meu corpo escorregar pela parede e as lágrimas presas me sufocaram. Eu não estava consciente do motivo da dor. Mas Deus, como doía.
Eu ouvi os novos nomes e o cheiro do beijo me cercava e isso não me enjoou. Na verdade, nem se quer me fez desviar o olhar. A visão era indiferente. Era o preto e branco sem graça. Sem força.
Eu não sabia encarar como olha-lo sem meus antigos olhos esperançosos, eu não sabia como entender pra onde havia ido tudo o que fomos. Eu queria abraça-lo. Eu estou com saudades.
Mas milhões de pedaços de mim não se encaixam mais no que ele é hoje. E se ele ainda for como eu me lembro, todos esses pedaços se quebraram a um simples toque. Um toque que não houve.
Sem contato, eu estivesse a salvo. Eu só queria poder mudar o final, onde me despedi sem vontade de amigos, sem vontade de vida, sem vontade de entender. Eu fui no ponto errado e esperei pelo onibus que nunca viria. Eu sorri pros outros que também aguardavam, mas o onibus deles estava proximo já. Logo seriam salvos. Do meu desespero.
Eu então, encontrei o ponto certo. E sozinho, pude acender meu escape. E traguei-o tão rápido que ele se encurtou e acabou em menos de dois minutos. Atirei-o longe. E meu onibus apareceu.
Mas aí que eu percebi, e chorei, era só um onibus. Não a esperança, não o tempo, não você.
Vendo pela primeira vez.
Há 13 anos
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