domingo, 25 de outubro de 2009

ABC

Eu sou um homem de palavra, não que ela seja honesta ou verdadeira. Mas eu gosto de falar, eu gosto de mentir e eu gosto de fazer de conta. Eu gosto do som das palavras, eu gosto de carregar o valor e o sentido em cada silába e eu gosto do jeito com que elas ferem ou curam. (In)Felizmente não se pode retirá-las. E eu não faço questão de ocultar qualquer uma das minhas. Afinal, tenho muitas e quase todas são minhas favoritas. Eu só não me sinto bem em usá-las contra você, garoto. Mas palavras são a minha especialidade e minha única arma. Então, atire-as de volta pra mim e tente quebrar todo o meu mundo.

V.

Effy.

Eu não estou acostumado a pessoas que se importem. E o meu maior medo de me quebrar, me fez errar. Eu queria fazer aquilo comum e ignorar todas as fantasias que a noite me vestia. Eu comecei, então, pela auto-destruição. Eu fiz as coisas erradas, as quais eu não precisaria. As quais não se satisfariam e muito menos me trariam solução, vontade ou resistencia. Eu segui então a procura do motivo de eu estar ali. Eu o encontrei deitado com a música alta levando-o para outros lugares a quais eu não fazia parte. Eu deitei, arrependido e querendo repetir desculpas. Ele disse 'Você demorou'. E a lua sorriu ao meu renascimento. 'Estava te esperando' e eu me senti vivo. Abracei-o e senti cada parte do teu corpo encaixada em mim e cada respiração e existência soando harmonicamente. Eu deixei meus labios cairem nos seus e mesmo sabendo que não estava em condições de diferenciar realidade de mera imaginação, eu pudi ouvir sinos. Como aqueles de natais, que trazem esperança, carinho e amor. Eu fui surpreendido pelos teus olhos cheios de sinceridade e douçura. Eu não resistiria, nem por medo. Eu fechei os olhos e poderia fazer aquele momento durar dias. Eu fui despertado pelo dono da festa para que fossemos pra fora de casa. Todos então começamos a subir as escadas. Eu disse, como única resposta 'Você é diferente'. Ele sorriu e disse 'Eu sei'.
No meio do caminho das escadas sem fim, a verdade me derrubou alguns degrais. Mais rápida que minha boca e minha decisão. Eu pedi concelhos e vi que não poderia confiar naquelas mãos que me ofereceram. Seu rosto era triste e bravo. E mesmo assim, continuava lindo e doce. Eu tentei explicar as coisas, eu tentei retrucar qualquer coisa que provasse quem eu era. Mas meus atos falavam por mim quem eu me tornei. E eu não pretendo continuar assim. Eu não pretendo regredir quando eu tenho um mótivo pra me refazer melhor, melhor do que qualquer esboço que já desenhei.
Depois do perdão, ele estendeu sua mão e me levou pra casa. E sem sono, ficamos dividindo pensamentos enquanto o sol se demorava a chegar, por um pedido meu de mais horas, minutos, nem que fossem segundos, ao teu lado. Eu me sentia bem e querido. Como eu já disse, não estou acostumado em me sentir assim. E quando recebo, eu sei que eu não valorizei e podiamos estar em outros assuntos.
Ele me contou a verdade do mundo e como estamos enlouquencendo preso nessa cidade. Eu lacrimejei e disse que não era justo. Que eu não podia aliviar a culpa de matar, de sobreviver, de ser forte. E mesmo toda a angustia entre nós, eu não me senti só, eu me senti tão bem. Quando ele disse 'Amor' e passou seus dedos no meu rosto, eu não pudi recusar outro beijo. Outro desejo. Outro e mais outro e quantos mais eu pudesse oferecer de mim.

Estranho, mas eu sentia que eu tinha algo pra lhe oferecer e talvez ele quisesse isso de mim. Ele quisesse ser parte de mim. Atrás de mim, me abraçando, pudi olhar o céu e estar completo. Eu estava salvo de qualquer necessidade de escape. Sem mais cigarros, bebidas, corpos, mentiras, auto-destruições...Sem mais necessidades. Por fim, ele se rendeu ao sono e caminhamos até o quarto. Eu fiquei olhando admiravelmente e ele se envergonhou rápido demais pra que eu pudesse disfarçar. Deitamos um ao lado do outro e por fim, ele me abraçou e fechei os olhos, com os teus braços no meu peito e mais alguns sinos.

Eu acordei algumas horas e pudi te apreciar. Eu pudi te ver meu. Eu pudi me ver seu. E não era pura arte, teatro, costume, impulso, era apenas eu mesmo. Eu tive que mudar de lugar, pra mais longe, porque não podiamos ser vistos juntos. E eu fiquei ali, ainda o fitando até o sono me ganhar e me por ao teu lado, outra vez.

No dia seguinte, as flores pareciam vivas e coloridas. E ele se sentou ao meu lado, perguntou se eu havia dormido quando estava com ele e porque me afastei. Eu disse que não havia noite melhor e teu sorriso já pagou todo o meu medo e divida em ser covarde. Quando o telefone tocou e eu sabia que estava me despedindo, cada segundo. Eu então repensei em cada segundo ali vivido e no caminho de volta, a cama elástica onde abrigou o nosso abraço permaneceu ali. Mais algumas labios nos meus e mais algumas borboletas enlouquecidas.

Eu sei que desapontei, mas a tua espera resultou em minha alegria.
E agora, talvez seja a minha vez, e eu esperarei. Porque eu quero fazer isso dar certo, porque você é diferente, tua preocupação me faz me importar mais comigo mesmo e teus olhos são os que eu desejo ser seguido.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Peter Pan.

Pra nenhum lado, pra nenhum braço. Não me ofereça o seu, garota. Porque sou eu que estou sem os meus pra me entregar. Essa música que me traz todo o ano passado doce, o mesmo que não posso experimentar um segundo mais ou novo dessas lembranças. Deus, eu me vi sem qualquer fioi ligado á ele e mesmo assim um sorriso se fez entre o meu medo e amadurecimento. Meus dias tem sido inéditos. E eu sinto falta de cair em gelatinas* e acordar como dormi. Sem um fio branco ou memória amais ou amenos. Eu resistiria a todos aqueles sorrisos porque hoje eu sei á onde me trariam. Eu errei e as horas não me fariam o protagonista da tua vida, qe uma vez que nos cruzamos, se resumiu em espera. Eu estava tentando girar sozinho contra cada volta que o mundo rebatia. Eu poetizei medo e pedidos de socorro quando estava em minhas mãos vida. Eu me afastei de todos mesmo quando os enganei com minha presença sem alma. Eu não posso mais viver de textos ou distrações. Eu não posso mais viver por algum coração destroçado que enfim encontrou paz no meu vazio. Eu não vejo mais cadeira alguma ocupada, vocês estão muito longes para que eu possa ouvi-los.
Talvez, eu já estava me repetindo. Em versos, em erros, em palavras e em personagens. Eu já fui bem mais do que eu fui nesse inverno. Eu estou tentando me refazer em um esboço já terminado. Eu preciso de algo novo, mas não pessoas. Porque eu estou cheio de pessoas e suas mentiras.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Cap. XX

Eu me vejo agora sentado, preso em rimas que não dizem muita coisa. Mas ninguém prestará atenção, porque estamos todos ocupados com o medo. E eu sobrevivo a tudo e ao nada que ecoa em mim. Eu já soei tão autosuficiente que quebrei pessoas e nem ao menos pudi perceber o quão mal posso causar. Eu me fiz todos os personagens que eu precisei sentir e me vi vivo e morto tantas vezes, mas ainda estou aqui, certo? Então, nada foi tão real assim como eu senti. Meus dias se esgotaram dentro do Doblo preto e eu não poderia estar mais satisfeito. Mesmo assim, ainda sonho com a nossa volta e um último passeio. Mas se eu realmente precisasse disso o telefone já teria sido usado, os números discados e a voz saido. Mas não, a voz falhou. O telefone foi escondido e todas as minhas sombras me alertaram 'Deixe estar'.

Eu me lembro de me sentir seguro porque depois de qualquer tempestade sempre haveria aquela menina. E assim, excluo todas as outras. E excluo todos os outros sorrisos e olhos que eu procurei. Eu tenho curiosidade e tenho vontade de conhecer tantos universos e pessoas. Minha ambição pode ter arruinado tudo, já que me sentir vunerável é extremamente bom quando é mera boboeira porque nunca estive só.
Mas quando todo o meu medo se fez realidade e eu perdi tudo o que eu troquei. Eu me vi com todo o resto que me havia sobrado e com sorrisos por eu estar de volta. Mesmo assim, eu não me cansei de ser egoísta e me fiz alguém quebrado, despensando todos outra vez. Nada me satisfazia e nada me traria o que eu deixei ir embora.
Meus traumas foram de novo abertos, com uma faca maior. Eu ainda não pudi perdoar e isso é autodestrutivo. Mas eu me vejo livre de recaidas. Eu sou maior que tudo. Como você dizia, eu sou maior do que isso. Do que esse sentimento e do que eu me fiz. Mas agora suas palavras soam irônicas, parece que você acha que eu era e agora minha mudança foi permanente. Veja, eu nunca sou permanente. E nós dois, não pertencemos a ninguém. Nem a nós mesmos. Mas eu gosto de me enganar e te chamar de minha e me entregar á ti.

O tempo voou pra mim e eu não pudi me despedir de cada fase que eu criei. Eu não posso te obrigar ou pedir pra ficar, porque eu sei que quando estavamos em papeis trocados, você não o fez. Talvez, devesse ter feito. Deus, nós eramos... Nada nos denominava e o tempo não parecia importar porque eu era certo que até onde ele durar seriamos eu e você.
E eu quero isso. Mas também não posso dramatizar tanto, até pra mim seria errado. As coisas não acabaram, apenas mudaram. Só não soe como coisas naturais, porque eu estou cansando dessa naturalidade na morte. Na vida. Nas coisas.
Eu não quero me acostuamar com isso. Eu quero ser do contra e repetir que isso está fora do controle e das minhas mãos.
Essas frases e sentimentos dos outros de tarde demais. Não é como nós somos ou faziamos. Eu era a exceção e a razão de tudo. Assim como você nunca se juntou aos outros ou foi comparada.

Eu preciso ir.
Eu preciso sair.
Eu preciso fugir.
Eu não quero mentir.
Eu só não vou mais fingir.
Talvez, seja a hora de reagir.

Novos amigos.

Atrás de todo o sabor, eu estou. E lá também estão duas senhoras, irmãs, um menino de vinte e pouco anos, sem pais, e um casal de noivos. E esses tem sido as pessoas que eu mais tenho visto e mais me feito bem, por todo o feriado e as chuvas que lhe acompanharam.
Então, a correria de servir, de montar caixas pra esconder mais sabores, o corte exato me fez alguém melhor e menos solitário. Eu de luvas e uma máscara que esconda meu sorriso inapropriado, mas vivo em cada segundo demorado e hora ainda não passada. Trabalhando.
E se eu pudesse permaneceria ali até o fim do ano, até as dúvidas sumirem. Mas quando o carro me pega e estamos de volta nas ruas, o céu não me atrai e sem sono, eu relembro coisas que eu não teria á quem compartilhar. O cansaço...Maior que meus pés, ombros, ouvidos, boca podem contar.
Eu jurei, quando decidi o novo nome que estaria independente de qualquer coração. E eu tentei e peço desculpas quando se sentiu frágil, sem apoio. Mas eu nunca soube diferenciar teu medo, tua vontade com a tua reprovação.
Desculpe, garota. Mas eu não posso contar com você. E com nenhuma das outras. Isso é tão pessoal e eu jamais diria isso de novo. Eu quase cheguei a expor meu peito inteiro á um menino que hoje, todos nós sabemos, onde e com quem está.

E o que era precisso se tornou só vontade
E a vontade é mera impressão
E ao declamar em versos eu já a abandono
E mais uma vez me vejo ao chão.

É triste ver teus olhos refletirem solidão, eu não sou mais capaz de te fazer querer voltar. Porque eu não sou mais quem encaixava perfeitamente no teu sorriso e nós deixamos todas as antigas conversas e todas aquelas barreiras, aquelas histórias que NUNCA serviriam em nós nos fazer quem somos. Você sabe se cuidar melhor do que ninguém. E eu fico feliz que esteja a salvo, mesmo que eu não perdoe minha necessidade de te ver aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A verdade.

Acima de tudo, eu te coloco todo o meu peito na mesa e se você quiser fazer apostas, eu dobro. Porque eu só quero aliviar os meus pensamentos, indiferente agora da sua opinião ou do caminho que ela te leve.
Você não tem sido nada do que eu preciso como não tem se adaptado a cada fase minha. E não venha me dizer que você me conhecia, porque eu mudei. Então, supere isso ou desista. Se ficar só te faz bem, permaneça. Mas não se esqueça, isso não será opcional pra sempre. Não vou tentar me tornar inesquecível, porque eu serei enquanto você for quem eu fiz e me inspirei.

Eu estou lutando sozinho por tudo o que eu acredito. Você pode me tornar culpado, mas a consciencia dirá a tua sentença e nós sabemos que você nunca moveu um dedo para nos reaproximar. Você chorou calada e escreveu cartas. Mas você não tentou, assim como não me abraçou quando o mundo se quebrou e até hoje eu não fui capaz de colar.
Talvez, não percebeu que eu sempre achei que existiria um 'nós' e não duvidei. Eu não me senti inseguro um dia se quer, porque eu sabia o que significa minhas palavras e eu as jamais traria de volta pra mim. Talvez, você tivesse dúvidas e as mesmas te sussurraram loucuras e te fizeram outra pessoa que eu não posso reconhecer. Teu jeito doce se fez amargo e tua risada se tornou falsa. Gostaria de impedir o mundo de girar, por hoje no mínimo.
Mas já tenho barba e tenho que trabalhar. Estou pronto para perder meu herói e viver a minha vida. Eu cresci tanto, só. E você nem pode assistir, porque estava longe demais pra me enxergar por inteiro. Só viu o que os seus olhos mentiram e o que a sua boca não disse.

Eu ainda preciso de você e ainda te amo infinitamente. Mas eu não posso ficar me deitando com dores e saudades. Que se desfaça em proza e se torne eterno em letras tudo o que vivemos. Eu preciso ir...Por favor, não me deixe ir só.

sábado, 10 de outubro de 2009

N.

Hoje eu já não saberia dizer se ainda te amo ou se eu te odiaria se me deixasse. E eu apesar de saber que não é certo, não me importo em fazê-lo. Eu ignoro o que nos machuraria menos e digo sem hesitar o que meu coração pede. Mesmo sabendo que me arrependeria nos segundos depois, mas eu diria, com a maior honestidade que posso atingir. Eu não posso ir mais além do que estou, então espero que você faça a sua parte. E tome uma decisão. Só não se mantenha indiferente. Porque se eu ainda te conheço, eu sei que não somos capazes de nos esquecer.

Dramatizar sempre foi o nosso forte, cara amiga. Sempre foi minha intensão e minha forma de demonstrar o que eu jamais poderia dizer sem rodeios. Hoje eu escrevo-lhe o meu melhor, em pequenas palavras que possam transmitir minha vontade de mudar. Se você não estivesse desistindo mim, não diria facilmente, mas sem dúvidas encontrou seu limite.

Eu diria que cresci, mas seus olhos parecem não querer mais assistir qualquer melhora ou fracasso meu. Eu já senti essa desaprovação e você disse que era medo. Hoje eu não sinto medo algum seu, apenas sinto você se desfazendo de nós e criando algo novo, onde eu não me encaixo. Porque não podemos parar o mundo de rodar? Eu queria guardar esse tempo que ainda tenho, que ainda te atinjo, que ainda te faço ouvir.

Talvez, no fundo da piscina. Agora eu sei que eu não conseguiria nadar. Eu me encontre e me sinta melhor. Mesmo assim, eu acho que terei de viver desajustado, sem me sentir de novo. Viver pelos outros é mais díficil do que morrer por eles. Eu simplesmente não sei se posso mais. Quando tenho tantos desejos de me prender em versos e me soltar, me livrar da necessidade de amor, de ar, de vida.

Eu não terminei com o seu mundo. Eu não estou satisfeito do que vivemos. E você jamais insistiria em dizer que ainda existe vida sem você.