sábado, 18 de julho de 2009

Quem eu me acostumei ver.

Eu me costurei em um nó torto. E não deixei ninguém desmanchar. Mas também não pensei em refazê-lo. Não estava com planos de deixar meu esconderijo tão cedo. Ficaria aqui por mais um tempo. Pra sempre.
Eu só precisava fechar os olhos, pra evitar os espelhos. Mas aquela voz dentro de mim, era tão torturante. Eu estava sentado com pena de mim mesmo. Tão tão patétitico. Eu me odiava tanto e não era apenas os meus olhos que enxergavam-me destruido. Um lado de mim não via mal nisso. Não dava a mínima pra qualquer olhar. Sendo que o único olhar que um dia tinha consigo me ver através de quem eu finjo ser, se afastou. Eu me sentia covarde. E um mentiroso irremédiavel. Eu devia ter lutado pelo amor que ainda havia sobrado pós-guerra. Eu devia ter guardado alguns pedaços de esperanças. Mesmo que fosse só pra depois. Uma hora eu seria forte o suficiente para nos erguer. Nos fortificar. Mas não. Eu fraquejei. Eu te olhei nos olhos e decidi seguir só.
Aquele segundo que virei, sem mais olhar a última vez, eu desencaixei-nos como peças perdidas em baixo do tapete. Só que eu me deixei ficar em cacos, debaixo do tapete, pegando poeira e solidão.

Eu então me senti confortável com a dor. Virei amigo das palavras. E comecei a ter a compania dos cortes. E eles eram tão reconfortantes. Eu não estava sozinho, nem preso. Era a liberdade e as marcas postas pra fora. Assim, talvez eles pudessem enxergar o que você fez comigo. Só que em proporções infinitamentes menores. Você me desmontou sem mais ser útil pra qualquer outra pessoa. Como você pode ter um poder de destruição tão grande tornando-me tão desnecessário, tão ridiculamente invísivel?

O vazio era minha maior razão para questionar minha existencia. E por tempo ainda duraria. Por que duraria? Não estaria fazendo falta. Não estaria fazendo bem á ninguém.
Mas surpreendemente eu rasguei os pontos. O vento me arrastou. E não me deixou preso naquele quarto. Mesmo que eu tenha me segurado na porta, arranhado o chão e implorado. Eu não podia mais estar cercado de tantos espinhos feitos por mim mesmo. Não foi um senso de justiça. Não fui absolvido. Não fui perdoado. Não tem quem perdoar, quem desculpar. Foram os fatos. Foram os dias. Foram-se os sentimentos. Foi-se o amor. Foi-se 99 de mim.

Agora eu tenho um. Que talvez sobreviva o inverno. Mas não tem mais voz alguma.
Eu gosto dos meus espelhos e eu me viro muito, sem medo de pensar em voltar. Eu escolhi seguir sozinho. Opção Voluntária. Opção Necessária.

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