As vezes me esqueço que todos seguem a mesma regra. Parece que não. Não estou falando daquelas coisas de 'por quê comigo?'. Como sempre as pessoas esperam que as coisas não aconteçam com elas...Eu vou mais além...O estranhamento, não explicado, de ver sua mãe chorando por as vezes se sentir só. Não pensava que as mães também tivessem esses sentimentos...Como um professor que sai da escola e tem muito mais do que seu trabalho. Eu viajo nesses pensamentos, sem mapas. Sem deixar meus rastros. E me perco deliberadamente nisso. Sem avisar meus pais onde vou. Sem deixar bilhetes espalhados no meu quarto. Só. Como quando você entra num parque de diversões, e decide ir no brinquedo mais alto. E quando tudo está subindo, seus pés balançando...Você avista o parque inteiro. Todas as pessoas lá embaixo se tornando formiguinhas...Pequenos detalhes. Tão longe, tão desnecessárias... E você está só. Absolutamente por sua conta. O brinquedo sorri e te solta no ar. Eu me senti, como um anjo. Igual do teu desenho. Me atirando do abismo...Mas era grandioso, sublime. Era um alivio e essa sensação do insuportável. Aqueles poucos segundos de anos, me traziam paz. Afastando-me de você. Afastando-me de nós dois. Mas me deixando bem próximo do meu eu interior.
Então, eu volto ás mães. A minha mãe principalmente. Pois é a única que de fato eu sei. E conheço. Verdadeiramente. Não totalmente, porque nunca conheceremos as pessoas totalmente. Pra isso precisariamos muito mais do que vivê-las. Porque nem eu mesmo posso me conhecer por inteiro. O que me deixa confuso e completamente assustado. Bem, imagine-se mãe. Não digo vestido de roupa floral, fazendo o almoço, enquanto as crianças brincam na sala e o marido está fora. Não. Eu digo, o amor incondicional e inexplicável. Por algo que você fez. Por um pedaço teu que se desenvolveu e pretendo um dia ter sua individualidade. Como limitar isso, então? Se há tantas e tantas ídeias ainda a serem expostas...
Eu não entendo como um amor pode ser criado atravês do sangue e não pelo contato, afinidade.
Eu não vou deixar meu filho assistir TV. Eu não permitirei que sua vida seja roubada pelo drama. Honestamente falando, eu sei que soou super protetor e completamente doente. Igual aqueles pais, tão igual aqueles pais incompressíveis (ou será incompreendidos?).
Mas eu tenho o meu ponto. E vou mostrá-lo.
Experiência propría. Eu não sei quem sou. E não sei quando sou a realidade ou ficção. Quem está em si copiando quem. Como isso foi acontecer? Eu revivo na vida o que meus filmes me sussurravam. Honestamente, eu gostaria de agir por minha conta. E não me sentir sempre vigiado por cameras. Eu não queria mais me analisar tanto. Sentir, sem culpa. Sentir por sentir. Viver e não recriar. Eu gostaria de ser um inventor. Não um ator. Não um ator fora do palco.
Eu entendo aquelas mães...hoje, eu vejo. Tudo vem dependendo da subjetividade. Analise os filmes. Num filme, policial, o mais importante é prender o bandido. Namores podem terminar. Amizades podem se quebrar. O importante é resultados.
Já num romance, você poderia ver como é fácil desistir do país onde se mora. De como é obvio a escolha do amor do que do dinheiro.
Imagine-se só num daqueles filmes de ficção. E seus filhos somem e você tem de lutar contra toda uma ilusão e contra todos os seus amigos, parentes, conhecidos para provar a sua sanidade e a existencia dos seus filhos que parecem nunca terem existidos. Imagine essas trocas de realidade e sanidade feitas para fora da televisão.
Imagine uma doença atacando a capacidade de pensar do seu filho. Imagina se só você pudesse ver a verdade. Até onde você iria?
Eu iria até o fim.